Universidade de Évora debate futuro da captura e armazenamento de CO₂ em Portugal
A Universidade de Évora acolheu, na tarde de 22 de setembro, o workshop “CCS em Portugal: que papel, que condições e que desafios para a sua implementação?”, dedicado ao futuro da captura, transporte e armazenamento de dióxido de carbono (CCS) enquanto possível contributo para a descarbonização da economia portuguesa.
Na sessão de abertura, o Reitor da Universidade de Évora, António Candeias, destacou o percurso de investigação desenvolvido pela instituição nesta área e a importância de aprofundar o conhecimento científico antes de avançar para uma eventual implementação em larga escala.
“Desde 2009, a Universidade de Évora tem desenvolvido um percurso continuado de investigação sobre o armazenamento geológico do dióxido de carbono”, afirmou o Reitor, salientando que este trabalho tem contribuído para conhecer um recurso do subsolo que “poderá ter importância estratégica para Portugal”.
O trabalho desenvolvido pela Universidade de Évora tem contado com a colaboração da indústria nacional e de instituições científicas, reunindo competências de diferentes áreas. Segundo António Candeias, esta abordagem multidisciplinar tem permitido articular conhecimentos das geociências, engenharia, economia e ciências sociais, aprofundando a análise das possibilidades de armazenamento de CO₂ e da sua relação com os desafios da descarbonização.
O Reitor destacou que os projetos europeus PilotSTRATEGY e CTS, cujos resultados foram apresentados e discutidos no âmbito do workshop, “representam uma nova etapa deste trabalho”. “O PilotSTRATEGY permitiu avaliar as condições para um projeto-piloto de armazenamento de dióxido de carbono ao largo da Figueira da Foz, considerando as dimensões técnicas, ambientais, económicas e sociais”, explicou. Por sua vez, o projeto CTS alargou esta perspetiva ao planeamento de soluções de transporte e armazenamento capazes de responder, a longo prazo, às necessidades da indústria portuguesa.
Para António Candeias, “a investigação desenvolvida aproxima-nos assim de uma visão integrada do que poderá vir a constituir uma infraestrutura nacional de transporte e armazenamento de dióxido de carbono ao serviço da descarbonização e da competitividade industrial”.
Apesar dos avanços alcançados, o Reitor sublinhou que uma eventual implementação em grande escala exige ainda um trabalho continuado de investigação e avaliação.
“Antes de uma implementação em grande escala, será necessário aprofundar a caracterização geológica, reduzir as incertezas e demonstrar, através de investigação e de um projeto-piloto, as condições de segurança e de viabilidade da solução proposta”, afirmou. Neste processo, acrescentou, “será igualmente essencial manter o diálogo com as comunidades, a indústria e as entidades públicas”, reforçou.
Ao concluir a sua intervenção, António Candeias enquadrou este trabalho no contributo que a Universidade de Évora pretende continuar a dar ao país através da investigação e da formação de competências. “Produzir conhecimento, formar competência e apoiar decisões fundamentadas sobre uma infraestrutura que poderá servir o país durante várias décadas” é, segundo o Reitor, o contributo da Universidade de Évora neste domínio.
O workshop reuniu representantes de entidades públicas e privadas, investigadores e outros especialistas, tendo promovido a discussão sobre as condições técnicas, económicas, ambientais e sociais associadas ao desenvolvimento de soluções de CCS em Portugal.
Ao longo do encontro foram apresentados os resultados de dois projetos europeus: PilotSTRATEGY e CTS, que analisaram diferentes dimensões associadas ao desenvolvimento de soluções de captura, transporte e armazenamento geológico de CO₂.
O projeto PilotSTRATEGY avaliou as condições técnicas, socioeconómicas, regulatórias e ambientais necessárias à concretização de um projeto-piloto de armazenamento geológico de CO₂ no offshore nacional. O trabalho desenvolvido procurou contribuir para um melhor conhecimento das condições existentes em Portugal e para a avaliação da viabilidade de futuras soluções de armazenamento de carbono.
Já o projeto CTS centrou-se na análise de diferentes opções para o desenvolvimento de uma infraestrutura nacional de transporte e armazenamento de CO₂, abordando uma componente essencial para a criação de uma cadeia integrada de captura, transporte e armazenamento.
Para além da apresentação destes resultados, discutiu-se se, e em que condições, a tecnologia CCS poderá contribuir para a neutralidade carbónica e para a descarbonização de setores industriais essenciais para a economia nacional, com poucas alternativas para reduzir as suas emissões de CO2.
