Universidade de Évora e a Universidade da Extremadura reforçam a cooperação científica
Na sessão de abertura, os responsáveis das duas universidades defenderam a importância da cooperação científica, da partilha de conhecimento e do desenvolvimento de projetos conjuntos entre a Universidade de Évora e a Universidade da Extremadura (UEx). Foi igualmente destacada a importância da ciência colaborativa para responder aos desafios comuns dos territórios de fronteira, como as alterações climáticas, a escassez de recursos, a sustentabilidade, a transformação digital e o despovoamento.
António Candeias, Reitor da UÉ destacou que o LEX26 representa "muito mais do que um congresso científico", afirmando que constitui "a expressão de uma relação construída entre duas universidades, duas comunidades académicas e dois territórios que partilham muito mais do que uma fronteira". "As regiões de fronteira são, muitas vezes, vistas como periferias. Mas podemos e devemos pensá-las de outra forma: não como margens, mas como centros de cooperação; não como espaços de distância, mas como territórios de proximidade; não como periferias, mas como verdadeiros laboratórios vivos de inovação”, defendeu.
"O sucesso deste Congresso não se medirá apenas pelo número de apresentações realizadas, mas também pelas novas colaborações que daqui surgirem, pelos projetos que começarem a ser imaginados e pelas ideias que encontrarem parceiros para se transformarem em realidade", apontou António Candeias.
Já Pedro Salguero, Reitor da UEx, salientou que a missão das universidades públicas passa por gerar conhecimento, transferi-lo para a sociedade e contribuir para a inovação. "Temos de gerar conhecimento, mas também de ser capazes de o transferir para a sociedade, transformando-o em inovação e em valor acrescentado", afirmou, defendendo igualmente que encontros como o LEX26 contribuem para atrair e reter talento nas regiões de fronteira e fortalecer a competitividade das duas instituições.
"A colaboração entre a Universidade da Extremadura e a Universidade de Évora é uma ferramenta fundamental para continuarmos a crescer em conjunto e respondermos aos desafios da sustentabilidade e da competitividade internacional", afiançou Pedro Salguero.
Por seu turno, Fernando Carapau, Diretor da ECT-UÉ destacou o trabalho desenvolvido desde 2025 para reativar o congresso, após um interregno de alguns anos. O responsável reafirmou o compromisso da Escola com esta iniciativa, considerando o LEX "uma plataforma estratégica para o fortalecimento da cooperação transfronteiriça em Ciência e Tecnologia".
Também Fernando Álvarez, Decano da Faculdade de Ciências da Universidade da Extremadura, sublinhou o potencial do congresso para consolidar novas redes de investigação, defendendo a ambição de transformar o LEX "num evento de referência, não apenas a nível regional, mas também nacional e internacional". Acrescentou que "a ciência avança graças ao rigor e ao trabalho pessoal, mas também graças à colaboração e ao diálogo entre colegas".
Por fim, o Chair da Comissão Organizadora do Congresso, Mourad Bezzeghoud, professor jubilado do Departamento de Física da UÉ, recordou que o LEX nasceu em 2017 com o objetivo de aproximar investigadores das duas universidades e reforçar a cooperação científica entre Portugal e Espanha. "Desde o primeiro momento acreditámos que aproximar investigadores dos dois lados da fronteira seria uma forma de criar novas oportunidades de cooperação", afirmou. O responsável anunciou ainda a submissão de duas propostas editoriais à Springer, dedicadas às áreas da Matemática, Inteligência Artificial e Ciências Aplicadas, e das Ciências da Terra, Ambiente e Sustentabilidade.
Já o Co-Chair da Comissão Organizadora do Congresso, José Cabezas Fernandez, da UEx, enumerou os desafios comuns do Alentejo e da Extremadura, como a sustentabilidade ambiental, as novas tecnologias, a saúde, ou o despovoamento que se sente nos dois lados da fronteira, tendo sublinhado que “a interdisciplinaridade que se apresenta neste Congresso, tentam-se dar respostas que são muito necessárias”.
Após um interregno, a quarta edição agora realizada confirmou o LEX como um evento científico internacional consolidado, que visa reforçar a colaboração transfronteiriça entre as comunidades de investigação portuguesa e espanhola. Ao longo dos três dias, o congresso, que registou mais de 200 participantes inscritos, proporcionou um fórum multidisciplinar para a apresentação e discussão de investigação original, metodologias inovadoras e desenvolvimentos científicos e tecnológicos emergentes. Foram apresentadas mais 100 comunicações orais, 75 pósteres científicos e decorreram quatro conferências gerais protagonizadas por convidados de reconhecido prestígio internacional.
O LEX26 foi organizado em conjunto pela Escola Superior de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora (ECT - UÉ) e pela Faculdade de Ciências da Universidade da Extremadura (FC - UEx), Badajoz, Espanha.
