Primeiras Jornadas Doutorais reforçam missão da Universidade de Évora: 'O conhecimento tem de ser valorizado socialmente'
As primeiras Jornadas Doutorais da Universidade de Évora (UÉ), promovidas pelo Instituto de Investigação e Formação Avançada (IIFA), estão a realizar-se até 4 de julho, no Colégio do Espírito Santo. Este evento, que conta com a participação de todos os cursos de doutoramento da UÉ, congrega cerca de 400 participantes (entre participação presencial e à distância), que estão a viver um programa intenso, diverso e profundamente interdisciplinar, que pretende evidenciar a centralidade dos doutoramentos na vida científica da Universidade, dando visibilidade às várias áreas de formação avançada.
Na sessão de abertura, António Candeias, Reitor da UÉ, destacou a importância desta iniciativa para a comunidade académica, sublinhando que as Jornadas Doutorais constituem um espaço privilegiado de aprendizagem e de intercâmbio científico. "Estas jornadas são, de facto, muito importantes quer para os alunos, quer também para a própria Universidade. É um momento de partilha, é um momento em que os alunos podem apresentar as suas investigações e os seus problemas doutorais”, referiu, acrescentando que o evento representa também um momento de acolhimento dos novos estudantes de doutoramento, permitindo-lhes conhecer melhor o funcionamento da Universidade e do IIFA.
António Candeias salientou o papel do IIFA, estrutura que considerou diferenciadora no panorama nacional. "O IIFA faz um papel que não existe em outras universidades. Para além de sediar toda a formação avançada ao nível dos doutoramentos e dos mestrados europeus, assegura também a coordenação e a integração das unidades de investigação, que são o suporte das atividades de investigação que os nossos alunos de doutoramento vão desenvolver”, apontou.
"Espero que esta semana seja bastante profícua, permitindo apresentar as vossas investigações, mas também perceber o que é que os outros estão a fazer, os vossos colegas e colegas de outros cursos de doutoramento", apelou, tendo deixado uma palavra especial à nova Diretora do IIFA, Andreia Dionísio, que presidiu pela primeira vez a um ato público desde a sua tomada de posse. "Desejo à Andreia um mandato de muita felicidade e prosperidade, porque aquilo que pretendemos com esta direção é, de facto, reforçar a investigação na Universidade de Évora", desejou.
O reforço da investigação passa, segundo o Reitor, pelo fortalecimento das competências do IIFA e pela criação de mecanismos que promovam uma maior articulação entre as unidades de investigação, estimulando o cruzamento de saberes e a capacitação de investigadores e orientadores. "Criar oportunidades como estas Jornadas permite o cruzamento de diferentes saberes e a integração de diferentes unidades de investigação, mas também a capacitação dos nossos investigadores e dos orientadores, tornando-os mais competitivos."
Na conclusão da sua intervenção, António Candeias reafirmou que o objetivo último da investigação desenvolvida na Universidade de Évora é o seu impacto na sociedade. "O que importa é que o conhecimento que se produz possa, de facto, ser valorizado socialmente. É isso que está no centro da nossa missão”, concluiu.
Já Andreia Dionísio, Diretora do IIFA, na sessão de abertura, destacou que “ao longo da semana, os doutorandos têm oportunidade de apresentar e discutir os seus projetos ou relatórios de progresso em sessões organizadas por programa doutoral, criando espaços de partilha, debate científico e acompanhamento do percurso de investigação”, tendo acrescentando que “para além destas sessões, o programa integra momentos formativos, culturais e de convívio, reforçando a ideia de que a formação doutoral vai muito além da investigação individual”.
“As Jornadas Doutorais deverão ser um espaço de encontro entre conhecimento, criatividade, colaboração e partilha. Esta iniciativa pretende valorizar os doutorandos, promover a interdisciplinaridade e reforçar o papel do IIFA na consolidação de uma cultura científica aberta, participada e orientada para os grandes desafios contemporâneos”.
Das atividades já desenvolvidas, destaca-se a palestra do Professor Alexandre Quintanilha, que ocorreu na tarde de 2 de julho, sobre o tema “A Dúvida como Pilar do Conhecimento”. Numa sala dos Docentes completamente lotada por várias gerações, um dos mais reconhecidos cientistas portugueses, com uma carreira que cruza a física, a biofísica e a biologia molecular, durante uma hora desafiou os docentes, investigadores e alunos da Universidade de Évora a “duvidar sempre e a mudar sempre”. “O conhecimento é não estarmos convencidos do que quer que seja. Aliás, a história do conhecimento mostra isso. Coisas sobre as quais se tinha a certeza e que depois mais tarde se deixou de ter”, afiançou à margem da palestra o reconhecido divulgador de ciência e antigo deputado à Assembleia da República.
Já ao final da tarde de 2 de julho, decorreu o concurso de talentos “Celebrate my PhD”, uma iniciativa inovadora de divulgação científica, na qual os doutorandos foram desafiados a apresentar o tema da sua tese de doutoramento através de uma performance artística. No total foram apresentadas a concurso 16 performance artísticas, marcadas pela originalidade e criatividade, tendo sido vencedores: em primeiro lugar, Laura Susete Murtinha Jara Viegas, com a performance “O repicar dos arquivos”; em segundo lugar ficou Ana Rita Abelha Jorge Azedo e Laura Machado, com a apresentação “Provar a Metodologia”; e em terceiro lugar, ficou Carla Simões, com a performance intitulada “Abracadabra, água na boca!”
