Em audição na Assembleia Municipal de Évora: Reitor destaca papel estratégico da Universidade no desenvolvimento da cidade e da região

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Na reunião de 26 de junho da Assembleia Municipal de Évora, no primeiro ponto da Ordem de Dia, decorreu a audição do novo Reitor da Universidade de Évora (UÉ), António Candeias, que destacou o papel estratégico da Instituição no desenvolvimento da cidade e da região.

O Presidente da Assembleia Municipal de Évora, Jorge Araújo, sublinhou, ao apresentar o Reitor, que “uma Universidade numa região é sempre um fator de desenvolvimento e, sem exceção, a Universidade de Évora no Alentejo e, em particular no Alentejo Central, é muito, muito importante… é fulcral para o desenvolvimento económico, social, o elevador social é evidente”. Por isso, explicou, contextualizando a audição, que “quando há novas eleições para Reitor, naturalmente é um dever da Assembleia Municipal ouvir o que o novo Reitor tem a dizer sobre a sua perspectiva, como é que ele encara o papel da Universidade no desenvolvimento da região”.

Na sua intervenção, António Candeias começou por agradecer o convite da Assembleia Municipal, afirmando que "falar da Universidade de Évora é falar da identidade desta cidade e também do seu futuro", lembrando que, ao longo de mais de quatro séculos de história, a instituição tem desempenhado um papel determinante na construção da região, enquanto "comunidade de conhecimento, de criatividade e de inovação que diariamente transforma pessoas, gera oportunidades e contribui para construir o futuro da nossa região". 
"Numa época em que o conhecimento é o principal recurso das sociedades mais desenvolvidas, as universidades assumem um papel decisivo", apontou, concretizando que “é através do conhecimento que se criam empresas mais competitivas, serviços públicos mais eficientes, agricultura mais sustentável, melhores cuidados de saúde, políticas públicas mais inteligentes e sociedades mais resilientes”.
Na sua intervenção, António Candeias reforçou a ideia de que o desenvolvimento da cidade e da Universidade são indissociáveis. "O futuro da Universidade de Évora e o futuro de Évora são inseparáveis. Não haverá uma cidade mais competitiva sem uma universidade forte. Não haverá uma economia regional mais inovadora sem ciência de excelência."


“Formar pessoas”: O papel insubstituível da Universidade de Évora

“É precisamente aqui que reside o papel insubstituível da Universidade de Évora. Forma pessoas, produz conhecimento, cria inovação, atrai talento e ajuda a encontrar respostas para os grandes desafios do nosso tempo”, evidenciou o  Reitor, lembrando que anualmente milhares de estudantes escolhem Évora para construir o seu percurso académico e “um número crescente vem de todos os continentes. Nós temos cerca de  1.500 alunos estrangeiros”. 

Na verdade, no seu entendimento, "cada estudante que escolhe Évora representa muito mais do que uma matrícula. Representa juventude, diversidade, dinamismo, consumo, criação de riqueza, mas representa também a possibilidade de fixar talento num território que enfrenta desafios demográficos particularmente exigentes". 

“Numa região marcada pelo envelhecimento da população e pela perda de jovens qualificados, a Universidade constitui um dos mais importantes instrumentos de renovação geracional e de coesão territorial”, afiançou o Reitor da UÉ. 

António Candeias destacou igualmente a capacidade científica da Universidade de Évora e o reconhecimento internacional alcançado pela investigação desenvolvida na instituição. Como exemplo, referiu a recente conquista de um projeto europeu de 16 milhões de euros que permitirá instalar em Évora um laboratório europeu de referência na área dos solos. "Esta investigação traduz-se em soluções concretas para problemas reais, traduz-se em inovação, traduz-se em empresas mais competitivas, novos produtos, novas tecnologias e novas oportunidades de desenvolvimento", salientou.


Uma Universidade aberta que coloca o conhecimento ao serviço da comunidade

Ao defender uma Universidade profundamente ligada ao território, reforçou a importância da colaboração com empresas, autarquias, hospitais, escolas e organizações da sociedade civil. "Uma universidade moderna já não pode viver fechada sobre si própria. Tem de trabalhar diariamente com as empresas, com as autarquias, com os hospitais, com as escolas, com as instituições culturais, com as organizações da sociedade civil e com os cidadãos. É precisamente essa Universidade aberta que queremos continuar a consolidar", garantiu o Reitor da UÉ.

Na sua intervenção, o Reitor abordou ainda os grandes desafios que se colocam ao Alentejo, como as alterações climáticas, a gestão da água, a transição energética, a inovação agrícola, a transformação digital, a preservação do património, a criação de emprego qualificado e o envelhecimento da população, defendendo que todos exigem conhecimento científico e inovação. "Nenhum destes desafios poderá ser enfrentado sem universidades fortes", afirmou.

“A Universidade gera capital humano”

O impacto económico da Universidade na cidade foi igualmente destacado, quer pelo contributo direto de milhares de estudantes, docentes, investigadores e trabalhadores para a economia local, quer pela capacidade da instituição em atrair investimento, financiamento europeu e profissionais altamente qualificados. "A Universidade representa um dos maiores fatores de dinamização económica de Évora, com efeitos que ultrapassam largamente os seus muros e beneficiam todo o tecido empresarial", referiu o Reitor da UÉ.

“A Universidade gera capital humano”, afiançou António Candeias, exemplificando que “a Universidade ajuda a fixar população qualificada numa região que enfrenta desafios demográficos significativos. Atrai jovens portugueses e estrangeiros, investigadores de dezenas de países e profissionais altamente especializados que escolhem viver, trabalhar e construir o seu futuro no Alentejo. Num território frequentemente confrontado com fenómenos de envelhecimento e perda populacional, esta capacidade de atrair e reter talento constitui um ativo estratégico de enorme relevância”. 


Queremos uma Universidade cada vez mais aberta ao mundo”

Recordando que a UÉ atrai investimento, capta financiamento europeu e cria redes internacionais, o Reitor afirmou que a Instituição “projeta Évora muito para além das fronteiras nacionais. E é precisamente nesta dimensão internacional que devemos continuar a apostar. Queremos uma Universidade cada vez mais aberta ao mundo”.

“Uma Universidade capaz de atrair os melhores estudantes, os melhores investigadores e docentes internacionais. Uma Universidade que participe nas grandes redes europeias de investigação e inovação. Uma Universidade que estabeleça parcerias estratégicas com outras instituições de excelência”, apontou, sublinhando que “quanto mais internacional for a Universidade de Évora, maior será a projeção internacional da cidade e do Alentejo”. 


A diversidade, interdisciplinaridade e cruzamento entre saberes são uma das maiores riquezas da Universidade de Évora

“Poucas Universidades possuem uma ligação tão profunda entre ciência, património, artes e criação artística”, afirmou António Candeias, exemplificando que “esta é uma Universidade onde a música, o teatro, a arquitetura, o património, a literatura e as artes convivem naturalmente com a engenharia, a medicina veterinária, a inteligência artificial, a economia ou as ciências da saúde”. 

“Esta diversidade, interdisciplinaridade e cruzamento entre saberes fazem parte do ADN da Universidade de Évora e constitui uma das suas maiores riquezas”, afiançou. 

O Reitor dedicou também uma parte significativa da sua intervenção a  Évora 2027 - Capital Europeia da Cultura, considerando tratar-se de "uma oportunidade histórica para afirmar internacionalmente a identidade da cidade, promover a criatividade, estimular a economia, valorizar o património e envolver toda a comunidade num projeto coletivo". 

Neste contexto, defendeu que a Universidade tem "um papel absolutamente central", através da investigação, da formação, da criação artística, da cooperação internacional e da valorização do património.


"Devemos continuar a construir uma Universidade profundamente enraizada no Alentejo”
Na parte final da sua intervenção, António Candeias afirmou que “devemos continuar a construir uma Universidade profundamente enraizada no Alentejo, mas simultaneamente aberta ao mundo”, tendo concretizando: “Uma Universidade que seja reconhecida pela excelência do ensino e da investigação, que transforme o conhecimento em inovação, que reforça a ligação às empresas e às instituições públicas, que apoie a criação de novas iniciativas empresariais, que valorize a cultura como motor de desenvolvimento, promova a sustentabilidade e a inclusão, que continue a afirmar-se como um verdadeiro laboratório vivo para responder aos desafios do nosso tempo”.

Concluindo, o Reitor da UÉ apelou ao reforço da ligação entre a Universidade e o território, defendendo que investir na instituição significa investir no futuro da região. "Investir na Universidade não significa apenas investir numa instituição académica. Significa investir na cidade, investir na economia regional, investir na cultura, investir na inovação, investir na coesão territorial e significa, sobretudo, investir nas próximas gerações."

“Enquanto representantes da comunidade, temos a responsabilidade de reforçar esta relação entre a Universidade e o território, criando condições para que continue a crescer e a contribuir para afirmar Évora como uma Universidade de referência europeia ou, como diz o senhor Presidente da Câmara, uma capital europeia universitária ao sul”, sublinhou António Candeias. 

A intervenção terminou com uma mensagem de confiança no futuro da instituição e da cidade: "Estou profundamente convicto de que o futuro de Évora será tanto mais forte quanto mais forte for a sua Universidade."

 

Publicado em 02.07.2026