'O Estado da Região' debatido na Universidade de Évora
A Universidade de Évora (UÉ) recebeu no dia 21 de maio, na Sala dos Docentes, a iniciativa “O Estado da Região”, que debateu o tema “O processo da descoberta empreendedora como ferramenta para a cooperação territorial”, promovida pela Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), que reuniu especialistas, responsáveis institucionais e agentes do território para debater os desafios da coesão territorial e da cooperação regional.
“É com enorme gosto que a Universidade de Évora recebe esta conferência”, começou por referir o Reitor, António Candeias, na sua intervenção na sessão de abertura, tendo dado as boas vindas e agradecido à ADRAL “a escolha da Universidade de Évora para acolher este momento de reflexão estratégica sobre o presente e o futuro da nossa região, que enfrenta atualmente desafios profundos - demográficos, económicos, ambientais e tecnológicos - mas também um tempo de grandes oportunidades”.
António Candeias reafirmou o compromisso da academia eborense com o território. “O que queremos é cada vez mais uma universidade para o Alentejo e com o Alentejo”, afirmou, defendendo uma instituição “profundamente comprometida com o desenvolvimento regional, com a coesão territorial e com a valorização dos recursos, das pessoas e das empresas da nossa região”. Segundo o Reitor, o futuro do Alentejo dependerá da capacidade coletiva de construir “uma região mais inovadora, mais colaborativa e mais atrativa para os jovens, para o investimento e para o talento”, através de uma articulação entre instituições públicas e privadas, autarquias, comunidades intermunicipais e entidades regionais.
Ao longo da intervenção, foi sublinhado o papel das universidades enquanto espaços de ligação entre ciência, empresas, instituições públicas e sociedade civil, considerando que os conceitos de inovação, especialização inteligente e descoberta empreendedora “não ganham verdadeira expressão sem redes de confiança, sem instituições capazes de cooperar e sem uma visão partilhada para o território”.
Foi nesta sequência que destacou as áreas estratégicas em que o Alentejo já demonstra capacidade de afirmação, apontando setores como o agroalimentar, a energia, os recursos minerais, a aeronáutica, a saúde e bem-estar, o património, o turismo sustentável, a cultura e a transição digital. Nestes domínios, assegurou, a Universidade de Évora pretende continuar a assumir um papel ativo na investigação, formação avançada e transferência de conhecimento.
A cooperação transfronteiriça mereceu igualmente destaque na intervenção, com referência à importância de reforçar as ligações com a Extremadura e a Andaluzia. António Candeias defendeu que a cooperação ibérica pode tornar-se “um verdadeiro motor de desenvolvimento económico, científico e social” para o sul da Península Ibérica.
A encerrar a intervenção, reiterou a disponibilidade da Universidade de Évora para continuar a participar nesse caminho “com ambição, com responsabilidade e com profundo compromisso regional”.
A sessão de abertura contou igualmente com intervenções do presidente da ADRAL, João Grilo, do vogal executivo da comissão diretiva do programa regional Alentejo 2030, Tiago Teotónio Pereira, e do presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho.
A iniciativa integrou dois painéis dedicados aos fundos europeus, à coesão territorial, à cooperação transfronteiriça e às redes institucionais, reunindo especialistas portugueses e espanhóis ligados ao desenvolvimento regional e à cooperação europeia.
