Dissertação de Mestrado em História na Universidade de Évora recebe Menção Honrosa na edição de 2025 do Prémio Fernão Mendes Pinto

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Mariana Caldeira Gonçalves, atual doutoranda em História, foi galardoada com uma Menção Honrosa na edição de 2025 do Prémio Fernão Mendes Pinto, iniciativa conjunta da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e do Instituto Camões. A distinção foi atribuída à tese de mestrado "A mulher no mar: a presença feminina a bordo na expansão marítima portuguesa", defendida em 2024 no Mestrado em História - Área de Especialização em História Social, na Universidade de Évora, sob orientação de Maria de Deus Manso, Professora do Departamento de História e investigadora do Centro de Investigação em Ciência Política (CICP).

Segundo a autora, o estudo pretende contribuir para a desconstrução da imagem exclusivamente masculina das Grandes Navegações perpetuada pela historiografia tradicional, através do estudo de mulheres que, entre os séculos XV e XVII, participaram nas viagens marítimas sob a alçada do império português. Do leque de perfis femininos identificados pela investigação, salientam-se as escravizadas, cativas, órfãs, degredadas, solteiras, prostitutas, fidalgas e princesas, tratando-se de mulheres de origens diversas que, por motivos igualmente  distintos, embarcavam voluntária ou involuntariamente nos navios e partiam para pontos cruciais do império. 

Segundo a autora, o estudo focou-se, simultaneamente, na análise da vivência e relações de género espoletadas em sequência da presença feminina a bordo, sendo as embarcações portuguesas interpretadas como "microcosmos" impulsionadores de oportunidades de sociabilização, mas que nem sempre correspondiam aos padrões sociais e quadros mentais vigentes em terra.  Apesar do silêncio marcante das fontes da época relativamente à mulher, a dissertação possibilitou, através de uma metodologia cuidada e alicerçada na história conectada, a transformação de pontas soltas, outrora dispersas e pontuais, numa teia robusta, consistente e refletiva daquilo que foi, efetivamente, o embarque feminino na expansão marítima portuguesa, evidenciando que este último seria um fenómeno mais regular que o que se pudesse inicialmente inferir.

Este prémio, atribuído anualmente pela AULP, tem como objetivo galardoar uma dissertação de mestrado ou de doutoramento que contribua para a aproximação das Comunidades de Língua Portuguesa, explicitando relações entre comunidades de, pelo menos, dois países.

O valor do Prémio Fernão Mendes Pinto é de 8.000€ (oito mil euros) a atribuir numa parceria conjunta entre a AULP e a CPLP ao autor premiado e cuja publicação digital será da responsabilidade do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP.

Mariana Caldeira Gonçalves realizou todo o seu percurso académico na Universidade de Évora. Concluiu a licenciatura em História e Arqueologia, em 2021. Ingressou no mestrado em História, com orientação de Maria de Deus Manso, tendo defendido a dissertação em 2024. 

Atualmente, Mariana Caldeira Gonçalves encontra-se inserida no programa de doutoramento em História (no qual ingressou em 2025), sendo o tema de investigação a presença e agência da mulher no império português na Ásia (séculos XVI-XVIII), cuja orientação está a cargo de Maria de Deus Manso, e de Lúcio de Sousa, Professor da Universidade de Tóquio e membro do Centro de Investigação em Ciência Política (CICP). 

Publicado em 28.04.2026