CONCILIA.UÉ "presta contas" à academia com a apresentação dos resultados do Inquérito 2025
Na tarde de 14 de abril, na sala dos docentes do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora (UÉvora), foram apresentados os resultados do inquérito 2025 sobre o Sistema de Conciliação da Vida Profissional, Pessoal e Familiar da UÉvora (SGC). Intitulado CONCILIA.UÉ - Promover e Desenvolver a Conciliação da Vida Profissional, Pessoal e Familiar na Universidade de Évora, o programa tem como objetivos, por um lado, o aumento e diversificação de políticas de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal na UÉvora e a diversificação das práticas promotoras da conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal disponíveis aos trabalhadores da academia, de modo a ir ao encontro das suas necessidades, interesses e expectativas. Por outro lado, o projeto visa a sensibilizar e capacitar a comunidade académica para a conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal, nomeadamente no que concerne a sua importância na promoção de vidas saudáveis, equilibradas e justas.
Carla Semedo, responsável pelo CONCILIA.UÉ e professora do Departamento de Psicologia, começou por referir-se ao objetivo da sessão “por vezes, respondemos a questionários e não sabemos depois os resultados do conjunto de pessoas que responderam e gostamos de perceber o que é que os nossos colegas também pensam acerca de coisas que nos afetam a todos e que podem impactar positivamente nas nossas vidas”, referiu, acrescentando que a equipa procura revelar “o conhecimento que as pessoas têm dessas medidas, ou não, ou ausência de conhecimento”.A responsável pelo Sistema informou que em maio próximo será feita uma auditoria pela entidade certificadora, concluindo assim um primeiro ciclo de três anos, e dando início a um novo ciclo.
Sobre o Inquérito 2025, Carla Semedo sublinhou que foi “muito interessante, que houve muitas propostas de melhoria do sistema, com propostas de novas medidas que poderiam ser implementadas (...) e a partir dos quais vão sair algumas propostas que futuramente podem vir a ser implementadas caso a gestão de topo assim decida e considere que são medidas boas”.
Cada medida de conciliação é uma medida que vai para além dos requisitos legais
Pedro Anacleto, consultor externo que tem acompanhado a implementação do SGC na UÉvora, apresentou a norma NP 4552: 2022, a qual certifica que a organização está comprometida com o equilíbrio dos seus trabalhadores, elencando as vantagens de uma Instituição ter um Sistema de Gestão da Conciliação. Vários estudos e artigos revelam que os trabalhadores são mais felizes em organizações que privilegiam o equilíbrio entre as esferas pessoal, familiar e profissional e citou a Harvard Business Review, “colaboradores felizes são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores”.
“Cada medida de conciliação é uma medida que vai para além dos requisitos legais”, esclareceu, dando alguns exemplos: “a colocação de uma máquina de vending; a permissão de estacionamento gratuito; o teletrabalho; protocolos com parceiros que dão benefícios aos trabalhadores”.
Depois da contextualização da Norma, a equipa do “Concilia.UÉ2025” apresentou as principais conclusões do Inquérito 2025. No total houve 321 respostas ao Inquérito 2025, das quais 256 foram validadas. Na caraterização sociodemográfica cerca de 63% das respostas foram dadas por trabalhadores do grupo etário dos 40 ao 59 anos; 69,18% foram mulheres e 28,85% homens; 42,30% vive em casal, com descendentes; 43,80% revelou que já não cohabita com os descendentes; 58,20% não tem cônjuge trabalhador na UÉvora; 92,6% afirmou que não é cuidador informal de alguém. No âmbito da caraterização profissional dos inquiridos constatou-se que 48,8% são pessoal técnico e administrativo; 35,9% são docentes; 13,3% são investigadores; 2% estão noutra situação. Sendo que 61,30% não têm cargo de coordenação ou gestão.
Para a maioria dos inquiridos a conciliação “aumenta o nível da satisfação com as várias dimensões da vida”
Questionados sobre a relevância do CONCILIA.UÉ, 38,58% dos inquiridos respondeu que o Sistema é “extremamente relevante”. Em relação à satisfação com a conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar na Universidade de Évora, 36,50% respondeu que estão “mais ou menos satisfeitos”, sendo que 29,50% revelou que estão “bastante satisfeitos”.
Sobre a perceção de benefícios da implementação de medidas promotoras de conciliação para os trabalhadores da UÉvora cerca de 74% dos inquiridos responderam que a conciliação “aumenta o nível da satisfação com as várias dimensões da vida”; 61,30% afirmaram que “melhora o desempenho profissional”; 72,30% concordam que a conciliação “favorece a gestão do tempo”; 61,70% afirmaram que “aumenta a disponibilidade temporal para a família”; 66,80% disseram que a conciliação “melhora a disponibilidade emocional para a família”.
Os inquiridos responderam maioritariamente que a implementação de medidas promotoras de conciliação para a UÉvora aumenta os níveis de produtividade (64,57%); promove o comprometimento com a organização (54,33%); e promove a dedicação ao trabalho (53,94%).
No entanto, no inquérito de 2025, 70% dos participantes afirmaram que o “desconhecimento das medidas” de conciliação existentes na UÉvora constitui o principal obstáculo a um melhor equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar.
“Encerramento de instalações em épocas festivas” é a medida de conciliação mais conhecida
Depois a equipa apresentou os resultados do Inquérito sobre o conhecimento e usufruto pelos trabalhadores das medidas de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar. A medida mais conhecida e que os trabalhadores usufruem ou já usufruíram é o “encerramento de instalações em épocas festivas”, com 86,50% dos inquiridos a afirmarem que conhecem e usufruem.
A “possibilidade de realização de reuniões por videoconferência” foi a segunda medida de conciliação mais conhecida, com 71,10% das respostas. Seguiu-se a “dispensa de serviço e mensagem de felicitações no aniversário”, com 54,30% a responderem que conhecem e usufruem. 50% também “conhece e usufrui ou já usufruiu” do “horário flexível”.
Dos inquiridos, 68% responderam que “conhece mas nunca usufruiu” da medida “Porta Aberta da Vice-Reitoria para as Políticas para a Vida na Universidade e Relações com a Comunidade”.
Já 60,90% afirmaram que “não conhece” a medida “Sessão de acolhimento para os/as novos/as trabalhadores/as”; 55,90% “não conhece” a medida “Desligar em GESDOC”; 55,50% “não conhece” a medida “Manual de Boas-Vindas”; e 45,30% “não conhece” a medida “Carta de agradecimento por aposentação”.
Dos inquiridos, 30,90% afirmaram que “conhece e usufrui ou já usufruiu” da medida “Gozo de excesso de horas no mês seguinte”.
No âmbito do conhecimento e usufruto pelos trabalhadores de Procedimentos e Estruturas com impacto na conciliação, o programa “Universidade Saudável da UÉ” foi o mais citado na categoria de resposta “conhece e usufrui ou já usufruiu”. Por seu turno, 76,60% responderam que “conhece mas nunca usufruiu” do Gabinete para a Igualdade de Género e Inclusão. Por fim, 66,10% dos inquiridos responderam que “não conhece” o “Selo de Qualidade Academia Voluntária, 2022 e 2024, atribuído pelo CASES”.
No que diz respeito ao conhecimento das medidas de Apoio psicossocial e Desenvolvimento profissional, 69,9% dos inquiridos responderam que “conhece e usufrui ou já usufruiu” da medida “eventos de convívio e sociabilidade”. 74,4% responderam que “conhece e nunca usufruiu” do Programa Saúde Mental da UÉ - Vagar(Mente). Já 60,50% responderam que “não conhece” o “Mapeamento de competências organizacionais e de pessoal”.
Em relação ao conhecimento e usufruto pelos trabalhadores de Serviços e Benefícios promotores da conciliação, 63,3% dos inquiridos responderam que “conhece e usufrui ou já usufruiu” dos Serviços de restauração/catering/takeway. 70,3% responderam que “conhece e nunca usufruiu” do Programa UBike. Já 46,7% responderam que “não conhece” o “Estacionamento gratuito ou reservado”.
Em suma as medidas existentes consideradas mais úteis pelos trabalhadores são: Horário flexível; Teletrabalho; Gozo de excesso de horas no mês seguinte; Videoconferência; Eventos de convívio; Fornecimento de computador portátil; “Desligar” em GESDOC; Protocolos com Instituições; Encerramento de instalações em épocas festivas; Loja Sustentável; Divulgação das medidas de conciliação; Évora Júnior Summer School.
No final foi apresentada uma lista detalhada de sugestões de medidas promotoras da conciliação propostas pelos trabalhadores da UÉvora - Docentes, Investigadores, Pessoal Técnico e Administrativo -, que foram categorizadas por: tempo e local de trabalho; mecanismos e carga de trabalho; espaço físico e infraestruturas; formação; comunicação; facilitação; e apoio a descendentes. As inúmeras sugestões poderão ser consultadas na apresentação que será entretanto disponibilizada.
De todas as sugestões a equipa do CONCILIA.UÉ apresentou três propostas, nomeadamente: uma medida dirigida a toda a comunidade académica; uma proposta dirigida aos funcionários técnicos e administrativos; e uma proposta dirigida aos docentes e investigadores. No entanto, nesta sessão as propostas não foram tornadas públicas, porque conforme explicou Carla Semedo, foram apresentadas à atual reitoria que por se encontrar em fase transição entendeu que as mesmas deverão depois ser apresentadas em primeira instância à nova equipa reitoral e posteriormente tornadas públicas.
No final da sessão, o Vice-Reitor, João Nabais, agradeceu à equipa a apresentação realizada assim como todo o trabalho na implementação do Sistema e na realização do Inquérito.
O Inquérito 2026 será lançado “em breve”
No final da sessão, questionada sobre o facto de no inquérito de 2025 70% dos participantes terem afirmado que o desconhecimento das medidas de conciliação existentes na UÉ constitui o principal obstáculo a um melhor equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar, Carla Semedo explicou que “a Universidade é uma instituição muito grande e, embora haja muita comunicação para que todas as pessoas fiquem a saber do que acontece, isso às vezes se torna em excesso, em redundância e, portanto, muitas pessoas não conseguem assimilar ou ter disponibilidade para ler tudo o que lhes chega. Isso é um trabalho que nós vamos fazer no dia-a-dia”.
“Quisemos fazer esta sessão para sistematizar de uma forma mais completa”, acrescentou, recordando que “temos também enviado uma newsletter, onde se destacam algumas medidas, sendo que as que fizemos até agora eram precisamente sobre as medidas mais desconhecidas.”
A responsável do CONCILIA.UÉ revelou, ainda , ue em breve “será enviado o Inquérito 2026”, tendo feito um apelo a toda a Academia: “Por favor, respondam. É muito importante para nós podermos fazer sessões como esta e para conhecer melhor o que é que as pessoas precisam de saber mais e o que é que elas sentem que precisam mais, em termos de medidas, que vão ao encontro das suas reais necessidades, para podermos ser um veículo de gestão desses pedidos e dessas sugestões para a reitoria, que é quem pode tomar as decisões e implementá-las”, concluiu.
O Sistema de Gestão da Conciliação entre a Vida Profissional, Familiar e Pessoal da Universidade de Évora está certificado pela Associação Portuguesa de Certificação (APCER), através da Norma Portuguesa 4552:2022 desde Julho de 2023.
A equipa do CONCILIA.UÉ é constituída por Carla Semedo, professora do Departamento de Psicologia da UÉvora e responsável pelo Sistema; Cláudia Zacarias, chefe de Divisão dos Serviços Administrativos; Suzete Rico, chefe de Divisão dos Serviços Académicos; e Ana Paixão, Técnica Superior do Serviços Administrativos.
