Universidade de Évora recebe congresso europeu sobre pastagens e forragens

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A Universidade de Évora (UÉvora) está a receber entre 12 e 16 de abril, o 31.º Encontro Geral da European Grassland Federation (EGF), que reúne mais de 360 especialistas de 34 países.  Quatro décadas depois do primeiro Encontro Geral se ter realizado em Portugal, Évora é por estes dias a “capital” da comunidade científica europeia e mundial dedicada ao estudo das pastagens. O Encontro é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Pastagens e Forragens (SPPF), em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. (INIAV) e o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Évora (MED). Sob o tema “Challenges and innovations for grasslands resilience”, o encontro aborda desafios e inovações na resiliência das pastagens, incluindo temas como alterações climticas, gestão do solo e da água, sistemas agroflorestais, produção pecuária sustentável e políticas rurais.Com mais de 2 milhões de hectares ocupados por pastagens - a principal ocupação agrícola em Portugal-, o tema assume particular relevância num contexto de crescente pressão sobre os sistemas agroalimentares.

 

O programa iniciou-se a 12 de abril, no Polo da Mitra da Universidade de Évora, com uma sessão especializada dedicada à medição de emissões de gases com efeito de estufa em ecossistemas de pastagens, complementada por workshops internacionais sobre pastoreio e tecnologias de monitorização.

Na sessão de boas-vindas, realizada na manhã de 13 de abril, José Fragoso Almeida, Presidente da EGF saudou a plateia que lotava o Auditório Nobre da UÉvora e sublinhou que a Comissão Organizadora está fortemente empenhada em promover a participação de estudantes e jovens investigadores, para assegurar a continuidade da investigação científica neste domínio tão relevante.

Uma “oportunidade única” para a investigação

À margem da sessão, o Presidente da EGF destacou que este 31º Encontro Geral é uma “oportunidade única” porque, “de facto, este ano, contamos não apenas com os melhores especialistas da Europa, mas também do resto do mundo, porque temos uma delegação muito forte dos Estados Unidos da América e da Austrália”, apontou, revelando ainda que “contamos com uma delegação da Ucrânia, que apesar das dificuldades, com a nossa ajuda conseguiu vir”. 

Sobre a realidade das pastagens e forragens, José Fragoso Almeida revelou que “há muitos desafios porque, contrariamente àquilo que sucedeu em Portugal, onde continuámos a aumentar a área de pastagens, na Europa, a seguir ao início da guerra da Ucrânia, registou-se uma redução de 38% na área de pastagens o que está a causar ainda uma grande dificuldade de ajustamento a nível europeu”. “Nós beneficiámos com isso porque temos um acréscimo na procura da produção dos sistemas em pastoreio e, portanto, isso para nós foi uma vantagem”, acrescentou. 

O Presidente da EGF revelou também como desafios para o setor a “mudança do quadro da Política Agrícola”, assim como “uma série de questões relacionadas com o custo da energia, que implica logo, imediatamente, também, com os custos dos fatores de produção”. 

“Portanto, nós estamos num momento muito particular. Há parte, depois, das questões naturais, entre outros fatores. Pois esta realidade é muito multifatorial”, acrescentou José Fragoso Almeida.

O Presidente da EGF referiu ainda a “investigação” como um grande desafio para a realidade do setor em Portugal. “A nossa decisão de trazer este meeting para Portugal prendeu-se com o facto que a nossa investigação nesta área é muito escassa e precisa de pessoas novas”, apontou. 

“Há bons investigadores em Portugal e temos jovens. Contudo, temos que os promover e integrar nestas redes europeias”, reconheceu, acrescentando que “o meu principal objetivo ao trazer este meeting para Portugal foi de tentar, de alguma forma, estimular os jovens investigadores portugueses a virem, a ganharem conhecimento, a integrarem-se nestas redes e a poderem crescer”.

“Em Portugal, em termos de investigação nas pastagens, nós estamos muito aquém daquilo que necessitamos. Ainda temos muitos problemas de base para resolver e que não fomos ainda capazes de enfrentar. E estes problemas afetam os agricultores, afetam a produtividade dos sistemas, a rentabilidade e a resiliência destas áreas”, justificou. 

“Portanto, a realização deste encontro aqui é excelente”, afiançou, destacando ainda “a ligação entre as pessoas que o programa permite, pois estaremos em sala, mas também no terreno, levando as pessoas às explorações e mostrando aquilo que nós temos de melhor. A ideia é podermos discutir no sítio, com as pessoas, algumas destas questões”.

A importância da realização deste 31.º Encontro Geral em Portugal foi também destacada por Vasco Picão de Abreu, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pastagens e Forragens (SPPF). “A realização deste Encontro foi para a SPPF um desafio, que apesar das dificuldades, abraçámos com muita força porque achamos que quer para os jovens cientistas, quer para o setor em geral é muito importante conhecer tudo o que se passa na Europa”. 

“Tudo o que será partilhado nestes dias será uma experiência para todos, quer portugueses, quer também os europeus, conhecerem um pouco o nosso país, como é que é o nosso montado, como é que estamos a trabalhar, quais são as investigações que estamos a fazer”, apontou.

 

O papel da Universidade: “A investigação é absolutamente crucial” 

No final do dia 13 de abril, ainda no Auditório Nobre do Colégio do Espírito Santo da UÉvora, com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, decorreu a cerimónia institucional de boas-vindas do 31.º Encontro Geral da European Grassland Federation (EGF). Para o responsável pela tutela, o papel da Universidade ao acolher este Encontro é fundamental. “São fundamentais as redes que aqui se formam e esta partilha que aqui está acontecer”, afiançou.

Sobre a importância da investigação, José Manuel Fernandes sublinhou também o reforço do Programa Horizonte Europa - programa-quadro de investigação e inovação (I&I) da União Europeia - cuja proposta da Comissão para 2028-2034 é de 170 mil milhões de euros, sendo que atualmente o programa conta com cerca de 100 mil milhões de euros. “É o maior programa de investigação do mundo”, destacou.

“Neste âmbito é essencial que se façam consórcios entre Universidades para que haja investigação, que é fundamental. Mas também para que haja uma investigação orientada para resultados”, apontou, exemplificando “para resolver, por exemplo, o problema da língua azul. Que haja investigação para as doenças que afetam culturas no quotidiano, como nas vinhas, com soluções eficazes que não prejudiquem nem o ambiente, nem a saúde humana”.

“A investigação é absolutamente crucial e muitas vezes as pessoas nem se apercebem que é crucial não só para a sanidade vegetal, para a sanidade animal, mas até para a saúde pública e depois, claro, para a comida no prato que é a segurança alimentar”, sintetizou.

 

O 31.º Encontro Geral da European Grassland Federation (EGF) desenvolverá até 16 de abril desenvolverá um extenso programa de conferências e visitas que serão “uma importante fonte de informação para investigadores, indústria, decisores políticos, educadores e agricultores”, concluiu José Fragoso Almeida, Presidente da EGF. 

 

Publicado em 14.04.2026