Ana Telles integra painel da EQ-ARTS e reforça a projeção internacional da Universidade de Évora no ensino superior artístico europeu

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Ana Telles, Vice-Reitora para a Cultura e Comunidade da Universidade de Évora, foi recentemente convidada a integrar o Board da EQ-ARTS – European Quality Assurance in Arts Education, uma das mais relevantes entidades europeias dedicadas à supervisão, promoção e harmonização dos processos de avaliação e acreditação do ensino superior artístico. Esta nomeação, que será anunciada internacionalmente nos próximos dias, representa um reconhecimento inequívoco do seu percurso académico, científico e institucional, bem como da afirmação crescente da Universidade de Évora no espaço europeu do ensino artístico.

A EQ-ARTS assume um papel estruturante na definição e aplicação dos European Standards and Guidelines for Quality Assurance (ESG) 2015 para o ensino artístico superior, articulando-se com agências nacionais de acreditação, instituições de ensino superior e diversos stakeholders do setor cultural. Como sublinha Ana Telles, trata-se de uma entidade com uma missão estratégica clara: “a EQ-ARTS supervisiona, aconselha e promove os processos de avaliação e acreditação de acordo com os critérios europeus de qualidade nas áreas artísticas”.

O convite agora formalizado resulta de um percurso progressivamente consolidado no plano nacional e internacional. Com formação de base na área da música, Ana Telles construiu uma trajetória marcada por uma forte aposta na transdisciplinaridade artística e na articulação entre diferentes campos do saber. A experiência enquanto Diretora da Escola de Artes da Universidade de Évora revelou-se determinante nesse processo, permitindo-lhe aprofundar o conhecimento de múltiplas áreas artísticas e científicas, bem como promover uma cultura de diálogo entre departamentos distintos. “Foi uma experiência extremamente enriquecedora, porque implicou compreender áreas científicas que não eram as minhas e procurar pontos de interligação entre departamentos”, afirma.

Esse trabalho de abertura e projeção internacional ganhou particular expressão com a integração da Universidade de Évora na ELIA – European League of Institutes of the Arts, a maior e uma das mais influentes redes europeias no domínio do ensino artístico superior. Em 2020, Ana Telles foi eleita membro da Assembleia de Representantes (Board of Representatives) da ELIA, vindo, posteriormente, a ser convidada para integrar o seu Executive Group, órgão responsável pela definição estratégica da organização, bem como para presidir ao grupo de trabalho Arts Education for All. “Sinto que o meu trabalho tem sido reconhecido, mas mais do que uma ambição pessoal, este percurso tem sido uma forma de colocar a Universidade de Évora e os seus ensinos artísticos no mapa internacional”, sublinha.

A nomeação para a EQ-ARTS surge, assim, num momento de transição estratégica da organização e resulta de um processo de auscultação em que a ELIA desempenhou um papel determinante. A escolha reflete igualmente a importância de garantir uma representação geográfica mais equilibrada no espaço europeu, dando visibilidade às realidades do sul da Europa, frequentemente menos conhecidas nos centros de decisão. “Não estou apenas a levar o nome da Universidade de Évora; estou a levar o nome do país e as problemáticas do sul da Europa, o que considero absolutamente essencial”, acrescenta.

No plano substantivo, a integração no painel da EQ-ARTS coloca Ana Telles no centro de um debate particularmente relevante para o futuro do ensino artístico superior, sobretudo no que respeita à consolidação da investigação artística e à estruturação dos doutoramentos em artes. Apesar dos progressos alcançados nos primeiros ciclos de estudos, subsistem desafios significativos ao nível dos terceiros ciclos, especialmente em países do sul da Europa. “Ainda há muita discussão sobre o que é investigação artística e sobre como devem ser formulados os doutoramentos em artes, integrando a componente de produção e prática artísticas com uma componente científica equiparável – embora com metodologias e problemáticas específicas – a qualquer outro doutoramento”, refere.

A Vice-Reitora da Universidade de Évora destaca igualmente o papel das avaliações externas na evolução dos currículos e na qualificação da oferta formativa. Segundo Ana Telles, “os currículos vão mudando em função das recomendações das agências de acreditação, e quanto mais capacitadas forem as equipas de avaliação, mais justo e produtivo será o processo”. Neste contexto, a formação especializada de avaliadores e a articulação com agências internacionais revelam-se fundamentais para reconhecer a especificidade do ensino artístico sem o afastar dos padrões académicos de qualidade.

Outro eixo central da sua reflexão prende-se com o equilíbrio entre exigências externas de qualidade, autonomia académica e identidade institucional, num contexto marcado por constrangimentos infraestruturais e de recursos humanos. Ainda assim, Ana Telles defende uma posição clara: “não podemos facilitar; temos de ter consciência do patamar de qualidade exigido e fazer tudo para lá chegar, o que implica uma gestão muito inteligente e eficiente”.

Por fim, a Vice-Reitora sublinha que todo este esforço converge, inevitavelmente, para a melhoria da experiência dos estudantes, que permanecem no centro da missão das instituições de ensino superior. “O foco do nosso trabalho são os estudantes”, afirma, destacando a crescente preocupação, tanto na EQ-ARTS como na ELIA, em reforçar os mecanismos de participação estudantil e de escuta ativa das suas experiências académicas e profissionais.

A entrada de Ana Telles no painel da EQ-ARTS constitui, assim, um marco de elevada relevância institucional, científica e simbólica, afirmando a Universidade de Évora como um ator influente no debate europeu sobre o futuro do ensino artístico superior e reforçando o contributo português para a definição de políticas de qualidade, investigação e formação nas artes.

Publicado em 10.02.2026