Departamento de História da UÉ celebra a paz através de exposição situada nos claustros do CES
A Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora tem dedicado o ano de 2023 ao tema da paz, o quinto pilar do desenvolvimento sustentável, desafiando a comunidade académica a promover iniciativas que atuem como espaço de reflexão e debate em torno a esta questão que marca a atualidade mundial.
Em resposta a este repto, o Departamento de História da Escola de Ciências Sociais da UÉ dinamizou a exposição subordinada ao tema “Celebrar a Paz”, que contou com os contributos dos estudantes do 2º e 3º anos da Licenciatura em História e Arqueologia (dos ramos de História e de Arqueologia), do 1º e 2º ano da Licenciatura em Património Cultural (dos ramos de Turismo e Gestão), 1º e 2º anos do Mestrado em História e do 1º ano do Mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico e Cultural, com coordenação geral de Mafalda Soares da Cunha e Ana Sofia Ribeiro, docentes do departamento.
“Além de uma realização colaborativa, deveria ser uma experiência de trabalho extra letiva dos estudantes de licenciatura e de mestrado, supervisionados por professores de várias áreas de especialização. Mas a concretização da iniciativa implicava a articulação de um conjunto de outros fatores: que houvesse alguns colegas para supervisionar os estudantes, captação de recursos financeiros adicionais, disponibilidade das bases materiais, orçamento compatível e garantia da qualidade gráfica e criatividade”, explicou Mafalda Soares da Cunha. “Apenas foi possível devido ao generoso apoio dos centros de investigação da Universidade de Évora (CIDEHUS, CHAIA e do pólo de Évora do IHC NOVA), dos professores Fernanda Olival, Paulo Simões Rodrigues e Maria de Fátima Nunes, e dos colegas cossupervisores científicos, Ana Sofia Ribeiro, Paulo Simões Rodrigues, André Carneiro e André Madruga Coelho, mas também do empenhamento e da decisiva criatividade da Drª Luísa Rocha, técnica superior de Comunicação e Gestão de Ciência do CIDEHUS, e dos diversos serviços da UÉ que contribuíram para a materialização da exposição”, destacou.
A inauguração da exposição teve lugar no dia 5 de dezembro, no Colégio do Espírito Santo, e contou com o testemunho da Senhora Embaixadora Ana Gomes, na conferência de abertura, seguindo-se uma visita guiada pelos estudantes-autores à exposição, nos claustros do CES.
Para Inês Jonífero, estudante do Mestrado em História da Universidade de Évora que contribuiu para elaboração da exposição, “esta iniciativa transpôs o espaço académica e foi além-fronteiras. Trabalhou com as agendas e questões atuais, saiu dos limites territoriais e percorreu o mundo em busca das várias conceções de paz”. “O meu contributo, juntamente com um colega, passou pela elaboração de um cartaz e de ações de voluntariado na montagem da exposição”, esclareceu.
Procurou-se, através desta exposição, celebrar a paz “noutros idiomas e em outros alfabetos”, em “tratados e redefinições de fronteiras”, ou através de momentos como o “beijo da paz” e em “caricaturas e sátira ao conflito e à violência”, algumas das múltiplas dimensões que se podem encontrar ao longo dos trabalhos produzidos. Nas palavras de Mafalda Soares da Cunha, “a exposição celebra a Paz de uma forma muito diversificada. Os 33 alunos dividiram-se em 13 grupos (o 14º foi elaborado por professores!) e cada grupo, escolheu o tópico que lhes interessava de entre um conjunto de 18 temas. É claro que não cobrem todos os temas possíveis sobre a paz. Sabemos que estes 14 cartazes temáticos correspondem a 14 olhares, entre muitos outros possíveis. Após essa escolha, os grupos selecionaram imagens e redigiram os textos respetivos, de acordo com critérios pré-definidos. Por fim, sintetizaram o conceito do cartaz, de forma breve, numa folha de sala (visualizável através de um QR Code). Os estudantes contribuíram ainda para um microvídeo com comentários sobre esta experiência. No que toca à paz, esta exposição tem como propósitos ser um ato público de cidadania, entendido como um imperativo humano universal, no qual os jovens, na sua qualidade de herdeiros do futuro, têm um papel fundamental. Esta dimensão é premente. Sempre o foi, porque embora a violência seja uma característica do ser humano, o desejo de paz também o é. E hoje, perante as atrocidades das guerras, a infração e o desrespeito dos direitos cívicos e humanos, além da impressionante desigualdade social, a afirmação e a luta pela paz são urgentes. Por isso, ao terminar a visita à exposição, creio que experimentaremos uma sensação de segurança por o futuro da humanidade estar entregue a uma geração que se preocupa e, porque se preocupa, lutará pela Paz”, realçou.
Através desta iniciativa procurou-se ainda “demonstrar que a História pode (deve) ter um efetivo impacto no espaço público e que os seus profissionais têm um amplo e diversificado campo de atuação nos mercados de trabalho; mostrar que o conhecimento deve saltar os muros da universidade e ser comunicado a diferentes públicos; ensinar que a História é uma disciplina que trabalha com a transversalidade cronológica e espacial, em inquéritos científicos que respondem a perguntas de investigação construídas a partir da diversidade cultural”, acrescentou Mafalda Soares da Cunha.
A docente do Departamento de História realçou ainda o papel dos estudantes que contribuíram para a exposição, defendendo que “este tipo de investimento extra letivo cria diferenciação nos seus currículos e oferece-lhes um campo grande e novo de experiências de trabalho”. “Creio que o dinamismo de ação e a diversidade deste tipo de aprendizagens trará benefícios aos seus futuros profissionais. Quero transmitir que, na qualidade de futuros historiadores, historiadores de arte, arqueológos ou cuidadores do património do futuro, confiamos neles. Acreditamos na competência que vão ter, no testemunho que vão dar. É importante que os estudantes dos cursos do Departamento de História compreendam que o seu papel em Portugal e no mundo é muito relevante”, concluiu.
No âmbito desta iniciativa, vão realizar-se visitas guiadas pelos estudantes-autores da exposição todas as terças e quintas-feiras, entre as 17h e as 18h, com inscrição prévia obrigatória. A exposição estará patente até dia 26 de fevereiro de 2024 no Claustro Grande do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.
