"Os patrimónios da sociabilidade II - Espaços de lazer em Évora"
O documentário "Os patrimónios da sociabilidade II — Espaços de lazer em Évora", apresenta as formas de sociabilidade e lazer que surgiram com a transformação da cidade de Évora a partir do século XIX.
Este segundo volume dirigido por esta investigadora da UÉ especializada nas formas de lazer e sociabilidade, traça um percurso pelas principais mudanças urbanas e sociais ocorridas desde a chegada do liberalismo político a Évora. Inclui as melhorias no ornato e na salubridade, mudanças provocadas pela desamortização e a implementação de alguns avanços técnicos. Mostra as mudanças do Liberalismo político através das formas do lazer, principalmente no espaço público das praças e dos jardins, e no mundo cultural do teatro. No âmbito dramático, revelam-se as fórmulas das antigas representações informais, a construção do novo Teatro Garcia de Resende, os repertórios teatrais, que contavam com forte influência espanhola (principalmente através do género musical da zarzuela), e os sistemas de representação social de projeção do estatus simbólico. Entre as diversas formas de património material que revelam o papel social destas formas de entretenimento cultural, destacam algumas peças de cultura material inéditas, as comemorativas dos días destacados da inauguração do teatro ou das suas principais representações e autores.
Embora tenham ocorrido diversas mudanças sociais e políticas com a chegada do liberalismo, a perspetiva historicista ou revivalista, que contemplava a cidade desde o seu glorioso legado histórico, acabou por se ancorar em determinados momentos do passado remoto. O perfil da cidade foi moldado e idealizado de acordo com as necessidades simbólicas do período do Liberalismo Político, que coincidiu com a criação dos Estados-Nação na Europa e em Portugal. Os novos elementos simbólicos, exigidos pelas novas elites burguesas, foram incorporados, destacando-se os momentos históricos e o enaltecimento dos heróis, como Garcia de Resende, ou Giraldo Sem Pavor, que também aparecem representados nos ornamentos do novo teatro. Este documentário sobre o panorama do lazer no século XIX percorre todos esses labirintos sociais e urbanos, desvelando múltiplas facetas do lazer desde a perspetiva da história cultural.
Este documentário foi dirigido pela investigadora María Zozaya-Montes, foi produzido pelo CIDEHUS-UÉ (FCT UIDB/00057/2020) e integra o ciclo "Memória do Tempo". Foi desenhado e realizado desde a sua primeira gravação em 2018. O documentário concretiza a transferência do conhecimento de investigações desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos por María Zozaya (compara com estudos anteriores realizados em Espanha). Reúne trabalho de campo, investigação-acção em associações, espaços públicos e de lazer, arquivos (documentais e musicais) núcleos de documentação de Évora, Lisboa e Espanha. Através das imagens e da sua narrativa, consegue mostrar e difundir fundos completamente novos e inéditos (principalmente referidos à cultura material), assim como as músicas que soaram na Évora do século XIX e XIX, promovidas desde as associações o espaços teatrais (gravaçoes reproduzidas de originais, graças ao apoio da BNE). Outras informações divulgadas no documentário mostram espaços inacessíveis ao público em geral, como é especialmente a informação revelada no documentário I, sobre as associações históricas de Évora, espaços privados com vida associativa ainda em vigor, que requerem o estatuto de pessoa associada para aceder às suas salas. Este documentário inclui, desta forma, uma visita a uma Évora histórica e atual parcialmente desconhecida pelo global da população residente ou visitante.
