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A comunicação política na monarquia pluricontinental portuguesa (1580-1808): Reino, Atlântico e Brasil.
- Universidade de Évora(líder)
- Universidade de Lisboa - Instituto de Ciências Sociais(parceiro)
- Universidade Federal do Rio de Janeiro(parceiro)
- Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas(parceiro)
Resumo
Este projecto não propõe o estudo de uma informação desconhecida, mas uma outra forma de olhar e de tratar fontes já parcialmente consultadas. O termo «comunicação política» tem sido utilizado pelos cientistas políticos para qualificar as novas modalidades de circulação da informação política nas sociedades recentes que já não se confinam apenas à recepção passiva e massiva da televisão, mas se alargam também a outros meios e agentes, incluindo a internet, alterando os conteúdos e as formas de intervenção. Retomamo-lo aqui para sublinhar a relevância de se conhecerem e estudarem os agentes produtores, os ritmos de produção, os canais de circulação, a tipologia dos assuntos, e, por fim, o destino final das solicitações feitas nas periferias para o centro da monarquia portuguesa e vice-versa na dimensão pluricontinental que teve nos séculos XVII e XVIII.
Trata-se de uma questão essencial que ganha muito em ser pesquisada de forma sistemática, relativamente uniforme e comparando diversos espaços geográficos. Com efeito, nas últimas décadas, as historiografias portuguesa e brasileira, deram-se conta dos escassos meios de que o centro da monarquia tinha para controlar os imensos territórios que estavam sob a sua tutela. E muito se tem discutido sobre as formas e as modalidades através das quais, apesar dessa escassez de meios, se efectivou a integração desses espaços por um período tempo tão alargado. Múltiplos tópicos se têm realçado a esse respeito. Mas aquele que aqui se procura estudar reveste-se de especial relevância, porque constituía uma mediação necessária de quase todos os outros. O rei, que era a cabeça da monarquia, estava por definição ausente. Mesmo no território do reino foi circulando num espaço cada vez mais confinado.O que se pretende sugerir é que as petições, de todo o tipo, eram um instrumento essencial de comunicação política na monarquia portuguesa do Antigo Regime e que a investigação sobre as mesmas permitirá compreender melhor as formas do seu funcionamento político. Algo que já se sugeriu, por exemplo, a propósito das câmaras do ultramar. O que se trata é de o explorar numa outra escala e de forma mais sistemática. Numa outra escala: comparando a comunicação de e para diversas sedes de comarca no reino, com a das ilhas (Ponta Delgada) e a das principais sedes de capitania no Brasil e África, para o que se conta com os projectos em curso desenvolvidos por investigadores que subscrevem esta candidatura.
