Universidade de Évora dá passo decisivo para a criação do Polo de Aeronáutica e Aeroespacial
A Universidade de Évora (UÉvora) deu esta sexta-feira, 25 de setembro, um “passo decisivo” no processo de criação do Polo de Aeronáutica e Aeroespacial da Universidade de Évora, através da assinatura de acordos de colaboração com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e a Câmara Municipal de Évora (CME). A sessão protocolar, realizada no Aeródromo Municipal de Évora, ficou marcada por dois momentos distintos. O primeiro incluiu a assinatura de um Protocolo de Colaboração entre a Universidade de Évora e o IPMA, bem como do Acordo de Cedência do Centro Regional de Meteorologia. O segundo culminou na assinatura do Título de Licença de Utilização do Domínio Público do Aeródromo Municipal de Évora, entre a Universidade de Évora e o Município de Évora. A cerimónia contou com a presença de Helena Canhão, Secretária de Estado da Ciência e Inovação.
“Muito mais do que a cedência de instalações à Universidade de Évora”
A assinatura dos documentos marca uma nova etapa numa relação entre UÉvora e IPMA que conta já com vários anos, nomeadamente nos domínios das ciências geofísicas, da meteorologia e da sismologia. A Universidade de Évora opera e mantém estações meteorológicas e sísmicas integradas em redes geridas pelo IPMA, colaboração à qual se junta agora a estação meteorológica de Évora, instalada no Centro Regional de Meteorologia. Para o Reitor da Universidade de Évora, António Candeias, o protocolo e a adenda representam “muito mais do que a cedência de instalações à Universidade de Évora”, constituindo “a consolidação de uma relação antiga entre duas instituições” e “o início de uma nova etapa, que queremos mais ambiciosa, mais integrada e ainda mais próxima dos grandes desafios científicos e tecnológicos do futuro”.
A cooperação entre as duas instituições estende-se também à formação, abrangendo desde programas conjuntos de microcredenciais até à formação doutoral, na Universidade de Évora, de técnicos e investigadores do IPMA.
Novas áreas de ensino e investigação
A cedência das instalações permitirá ampliar a colaboração existente e desenvolver atividades em áreas como a meteorologia, a sismologia, a observação da Terra, a engenharia mecatrónica, a deteção remota, a automação e a robótica. É neste contexto que a Universidade de Évora pretende dar um novo impulso à criação do futuro Polo de Aeronáutica e Aeroespacial, uma aposta estratégica que pretende aproximar ciência, formação, inovação e atividade empresarial. “A aeronáutica e o aeroespacial são hoje áreas onde convergem ciência, engenharia, novos materiais, inteligência artificial, sistemas autónomos, observação da Terra, alterações climáticas, comunicações e muitas outras tecnologias que terão um impacto crescente nas próximas décadas”, destacou António Candeias.
Segundo o Reitor, Évora e o Alentejo reúnem condições particularmente favoráveis para participar neste desenvolvimento, nomeadamente pela disponibilidade de espaço, existência de infraestruturas, capacidade científica, presença empresarial e condições para a experimentação e o ensaio. “A Universidade de Évora quer assumir plenamente a sua responsabilidade neste processo. Queremos formar pessoas altamente qualificadas, produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e trabalhar lado a lado com as empresas, com as instituições públicas e com os restantes parceiros deste ecossistema”, afirmou.
Polo com novas infraestruturas científicas e tecnológicas
O futuro Polo de Aeronáutica e Aeroespacial deverá contar com um investimento significativo da Universidade de Évora, que deverá rondar 1 milhão de euros, para a criação de novas infraestruturas científicas e tecnológicas.
Entre estas estão previstos um Laboratório de Aerodinâmica, dedicado à investigação, experimentação e formação avançada; um Laboratório de Aeroespacial, orientado para o desenvolvimento e integração de tecnologias associadas aos setores aeronáutico e espacial; e um Laboratório de Ensaios de Materiais, destinado ao estudo, caracterização e validação de materiais e soluções para ambientes particularmente exigentes.
A intenção da Universidade é que estas infraestruturas estejam ao serviço da comunidade académica, mas também sejam disponibilizadas às empresas, centros de investigação e outras instituições. “É precisamente nesta ligação entre formação, investigação, inovação e território que reside o verdadeiro potencial deste projeto”, sublinhou António Candeias.
O Polo pretende contribuir para a atração de estudantes e investigadores, a criação de emprego altamente qualificado, o desenvolvimento de novos projetos e empresas tecnológicas e o reforço da capacidade de inovação das empresas já instaladas na região.
Évora e o Alentejo como território de ciência e tecnologia
A iniciativa assume igualmente uma dimensão territorial, com a Universidade de Évora a defender a importância de descentralizar a produção de conhecimento e a atividade científica e tecnológica de elevada intensidade. “Projetos como este mostram que é possível construir polos de excelência a partir dos territórios, valorizando precisamente aquilo que os distingue”, afirmou o Reitor, acrescentando que “o Alentejo não deve limitar-se a acompanhar as grandes transformações científicas e tecnológicas”. “Tem condições para participar nelas e, em algumas áreas, para assumir um papel de liderança. A aeronáutica e o aeroespacial podem ser uma dessas áreas”, acrescentou.
Neste processo, a cooperação institucional assume um papel central. António Candeias destacou, por isso, o significado de a nova etapa ser assinalada através da parceria com o IPMA, agradecendo ao Presidente da instituição, José Ângelo Guerreiro, e a toda a equipa “pela confiança depositada na Universidade de Évora e pela disponibilidade para aprofundarmos uma relação que já tem muitos anos e que hoje ganha uma nova dimensão”.
O Reitor agradeceu igualmente a presença da Secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, salientando o significado atribuído à ligação entre ciência, inovação e desenvolvimento dos territórios. “Aquilo que assinamos hoje não é um ponto de chegada. É um ponto de partida”, afirmou António Candeias.
Para o Reitor, o verdadeiro impacto deste projeto será alcançado quando as instalações começarem a acolher estudantes, investigadores, técnicos e empresas e quando delas resultarem “novas formações, novos projetos, novas tecnologias e novas oportunidades”. “É essa a nossa ambição”, concluiu, apontando para o objetivo de afirmar Évora e o Alentejo “como um território de ciência, tecnologia e futuro”.
Já o Presidente do IPMA, José Guerreiro, destacou a importância da colaboração entre o IPMA e a UÉvora para o reforço das capacidades científicas e técnicas do instituto, sublinhando o papel da cooperação com o Sistema Científico e Tecnológico Nacional na resposta aos desafios da meteorologia, do clima, da geofísica e do oceano. “Tem sido essa estreita colaboração que tem permitido, nos últimos anos, um avanço das nossas capacidades e da nossa capacidade de atuação enquanto Laboratório do Estado e de Referência”, acrescentou.
Seguiu-se a assinatura do Protocolo de Colaboração e do Acordo de Cedência do Centro Regional de Meteorologia, formalizando uma parceria que integra o processo de criação do novo Polo.
Aeródromo Municipal reforça dimensão aeronáutica do projeto
Num segundo momento da sessão, o Reitor da Universidade de Évora voltou a destacar a importância da articulação entre a Universidade e o território para a concretização deste projeto. “Queremos que seja também um projeto da cidade de Évora”, afirmou, considerando que a cedência dos espaços pela Câmara Municipal traduz uma “visão comum” de que “a Universidade e a cidade devem trabalhar em conjunto na construção do futuro deste território”.
Para António Candeias, esta cooperação entre as duas instituições tem vindo a desenvolver-se de forma particularmente próxima. “Temo-lo feito, eu diria, quase de uma forma simbiótica”, afirmou, defendendo que uma Universidade não pode existir desligada da cidade onde está inserida e que, por sua vez, “uma cidade universitária como Évora tem também na sua Universidade um dos principais instrumentos para atrair talento, conhecimento, investimento e novas oportunidades”.
Criar um ecossistema de formação, investigação e inovação
O futuro Polo pretende tirar partido das condições e competências já existentes no território, nomeadamente de um setor aeronáutico em crescimento, de empresas com capacidade tecnológica, das características do Aeródromo de Évora e das competências científicas e pedagógicas da Universidade de Évora. “Se conseguirmos ligar estas diferentes componentes, podemos construir aqui algo verdadeiramente diferenciador”, afirmou o Reitor.
A ambição passa pela criação de um verdadeiro ecossistema de formação, investigação e inovação, “onde estudantes se formam em contacto com desafios reais; onde investigadores trabalham com empresas; onde novas tecnologias podem ser experimentadas e demonstradas; e onde o conhecimento produzido na Universidade se transforma em inovação, atividade económica e emprego qualificado”.
Neste contexto, o investimento previsto pela Universidade assume particular relevância, estando contemplada a criação de novas salas de aula e de laboratórios dedicados à Aerodinâmica, ao Aeroespacial e aos Ensaios de Materiais. Segundo António Candeias, estas estruturas “não devem ser vistas apenas como infraestruturas universitárias”, uma vez que a intenção é que funcionem também como “infraestruturas do território”.
Os espaços deverão, assim, servir não apenas o ensino e a investigação, mas também apoiar empresas, promover novos projetos e parcerias e contribuir para a atração de estudantes, investigadores e profissionais altamente qualificados para Évora.
Universidade e Município juntos a pensar o futuro de Évora
O Reitor da Universidade de Évora sublinhou a importância da parceria com o Município e agradeceu ao Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, e à autarquia “pela confiança na Universidade e pela disponibilidade para partilhar connosco esta ambição”.
“A Universidade e o Município têm responsabilidades diferentes, mas partilham algo fundamental: a responsabilidade de pensar o futuro de Évora”, afirmou. Esse futuro, acrescentou, deverá conciliar a valorização da identidade e do património da cidade com a criação de novas áreas de conhecimento, tecnologia e atividade económica.
“Évora pode ser simultaneamente uma cidade de património e uma cidade de futuro. Aliás, deve sê-lo”, defendeu António Candeias, considerando que as áreas da aeronáutica e do aeroespacial representam “uma oportunidade particularmente interessante para o demonstrarmos”.
O compromisso agora assumido pretende, assim, contribuir para a criação de um novo eixo de desenvolvimento científico, tecnológico e económico em Évora. “Espero que daqui nasçam novos cursos, novos projetos, novas empresas e novas oportunidades para os jovens que estudam e vivem na nossa região”, afirmou o Reitor.
António Candeias concluiu destacando o valor estratégico da cooperação entre a Universidade e o Município: “este seja mais um exemplo de como a Universidade e a cidade podem, trabalhando juntas, aumentar a ambição de todo um território”.
A sessão prosseguiu com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, que salientou a importância de reforçar a ligação entre o Município e a Universidade de Évora, enquanto instituição de conhecimento e de investigação com um papel estratégico no desenvolvimento local e regional. Para Carlos Zorrinho, esta cooperação deve traduzir-se em novas dinâmicas de inovação, capazes de contribuir para a criação de riqueza e emprego e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Secretária de Estado destaca papel da Universidade de Évora na atração e retenção de talento
Por fim, na sua intervenção, a Secretária de Estado da Associação de Inovação, Helena Canhão, sublinhou a relevância dos acordos celebrados entre as três instituições, considerando que estes representam um exemplo da articulação necessária entre diferentes entidades para responder aos desafios do desenvolvimento do país. “É muito importante que nós, na sociedade civil, tenhamos esta relação entre várias instituições, os governos locais, a academia e uma instituição e laboratório de Estado como é o caso do IPMA”, afirmou.
Para Helena Canhão, o conhecimento e a inovação assumem um papel central no desenvolvimento económico e social. “É muito importante que o nosso país cada vez mais se centre no conhecimento e na inovação, porque é o conhecimento e a inovação que são os motores de desenvolvimento”, destacou.
A Secretária de Estado salientou ainda a importância de Évora e da região criarem condições para atrair e, sobretudo, fixar talento, considerando que a capacidade de retenção de pessoas e de criação de emprego qualificado constitui um fator determinante para o futuro do território. “Para uma sociedade como Évora e para esta região é muito, muito importante nós atrairmos cada vez mais talento e sobretudo retermos pessoas”, afirmou.
Neste contexto, destacou o papel que a Universidade de Évora pode desempenhar enquanto motor de desenvolvimento regional, em articulação com a Câmara Municipal e com outras instituições. “Este motor de desenvolvimento da Universidade pode servir naturalmente com o apoio da Câmara, que é fundamental”, sublinhou.
Helena Canhão apontou também a proximidade de Évora a Lisboa como um fator que encerra simultaneamente oportunidades e desafios. Se, por um lado, a proximidade da capital facilita a mobilidade, por outro, considerou essencial criar na região as condições necessárias para que os jovens possam permanecer e desenvolver os seus percursos profissionais.
“É suficientemente distante e a cidade é muito importante e toda esta região para ter aqui todas as condições necessárias para reter cada vez mais jovens e para manter aqui empregos qualificados”, afirmou.
A criação do Polo de Aeronáutica e Aeroespacial da Universidade de Évora pretende em suma materializar a ligação entre ciência, ensino, inovação e território, promovendo novas oportunidades de cooperação institucional e contribuindo para o desenvolvimento de competências e conhecimento numa área de crescente importância estratégica.
