Roças de São Tomé e Príncipe classificadas como Património Mundial da UNESCO com contributo científico da Universidade de Évora
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou, a 26 de julho, na assembleia anual que decorreu na cidade sul-coreana de Busan, as plantações agrícolas coloniais portuguesas nas ilhas de São Tomé e Príncipe como Património Mundial. Esta classificação assinala um momento histórico para São Tomé e Príncipe e recupera um processo para o qual a Universidade de Évora (UÉ) deu um contributo científico relevante desde as suas fases iniciais, tendo sido a única universidade portuguesa a estar envolvida nos trabalhos que levaram à elaboração desta lista indicativa.
Em 2022, a Universidade participou, a convite do então Ministério do Turismo e Cultura de São Tomé e Príncipe, no Atelier de Formação e Capacitação para a elaboração da primeira Lista Indicativa do país junto da UNESCO. Desenvolvido em parceria com a Universidade de São Tomé e Príncipe e outras entidades internacionais, este trabalho esteve na base da submissão da primeira Lista Indicativa de São Tomé e Príncipe, divulgada na altura pela UÉ.
A equipa do Pólo da Universidade de Évora em São Tomé e Príncipe, representada por Sara Marques Pereira e Renata Monteiro Marques, colaborou na fundamentação técnico-científica da candidatura, contribuindo para demonstrar o valor universal excecional das roças enquanto património singular da história, da arquitetura, da paisagem e da organização territorial do arquipélago.
O processo foi, entretanto, desenvolvido pelas autoridades são-tomenses nos anos seguintes e culminou agora com a inscrição das roças Água Izé, Belo Monte, Diogo Vaz, Monte Café, São João e Sundy na Lista do Património Mundial da UNESCO.
Trata-se de um conjunto de seis roças situadas nas ilhas da nação africana, que representam um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e instalações sociais. Estes locais, sublinhou a organização da ONU, ilustram o funcionamento de um sistema agroindustrial colonial em grande escala, baseado na migração e nos trabalhos forçados, desde o final do século XIX até meados do século XX, concebido para sustentar a produção de matérias-primas após a abolição da escravatura.
A Universidade de Évora congratula-se por esta conquista histórica, que representa um importante passo para a preservação e valorização internacional do património cultural do arquipélago da República Democrática de São Tomé e Príncipe.
