II Jornadas da Saúde debatem os desafios atuais e futuros do setor
A Universidade de Évora (UÉ) está a realizar, até 3 de junho, as II Jornadas da Saúde, um evento que se afirma como um espaço privilegiado de encontro, partilha e reflexão entre os principais agentes do setor da saúde, ensino superior e instituições públicas.
Com o objetivo de fomentar uma discussão aprofundada sobre os desafios atuais e contribuir para a construção de estratégias sustentáveis para o futuro da saúde, tanto a nível regional como nacional, estas jornadas apresentam um programa abrangente e multidimensional ao longo de três dias.
Na manhã de 1 de junho decorreu a sessão de abertura que contou com intervenções de Elsa Lamy, Pró-Reitora para Uma Só Saúde; de Isabel Bico, Diretora da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus (ESESJD); de Armando Raimundo, Diretor da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano (ESDH); de Carlos Mateus Gomes, Presidente da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC); e de Carmen Carvalheira, Vereadora da Câmara Municipal de Évora (CME).
A Pró-Reitora para Uma Só Saúde, em nome do Reitor da UÉ, cumprimentou e felicitou a organização das Jornadas, destacando a relevância da iniciativa como espaço de encontro e partilha entre diferentes áreas do conhecimento e setores da sociedade. “Os temas em debate, desde a saúde mental à literacia em saúde, alimentação, transição digital e políticas públicas, refletem a consciência de que os desafios que enfrentamos exigem respostas integradas, interdisciplinares e sustentáveis”, sublinhou.
Elsa Lamy realçou, ainda, a inclusão de uma sessão dedicada à abordagem One Health (Uma Só Saúde), entendida como um elemento de alinhamento entre a visão da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano e a estratégia institucional da Universidade de Évora. “Ao longo de décadas, a Universidade de Évora consolidou competências em áreas como as ciências veterinárias, o ambiente, a agricultura e os solos, às quais se juntam atualmente as ciências do desporto, a enfermagem, a psicologia, as ciências biomédicas e as ciências farmacêuticas. Esta diversidade, aliada a uma forte cultura de colaboração interdisciplinar, coloca a Universidade de Évora numa posição privilegiada para promover o conceito One Health, reconhecendo que a saúde humana, animal e ambiental são dimensões indissociáveis do mesmo sistema”, afiançou.
A Pró-Reitora apontou ainda a área da saúde como uma das “prioridades estratégicas” da UÉ, tendo reafirmado o compromisso de “reforçar a qualidade da oferta formativa, a capacidade científica e de investigação e a consolidação de parcerias institucionais”, com o objetivo de criar “um verdadeiro ecossistema de conhecimento, inovação e impacto social na área da saúde”.
“Estas jornadas simbolizam também algo que consideramos essencial, a ligação entre a Universidade e a sociedade. O terceiro dia do programa, dedicado à comunidade com rastreios, atividades de promoção da saúde e ações de sensibilização, demonstra que o conhecimento só cumpre plenamente a sua missão quando chega às pessoas, quando melhora vidas e quando contribui para o desenvolvimento dos territórios”, afiançou Elsa Lamy.
Por seu turno, Isabel Bico, Diretora da ESESJD da UÉ, na sua intervenção defendeu uma visão transdisciplinar da saúde, sublinhando a necessidade de envolver diferentes áreas do conhecimento na procura de soluções para os desafios que afetam as populações. A saúde deve ser analisada numa lógica “mais do que multidisciplinar”, referiu, classificando-a como uma visão “transdisciplinar e interdisciplinar”, capaz de colocar no centro das preocupações “a saúde da pessoa”.
A Diretora da ESESJD da UÉ reforçou ainda o papel da academia na resposta às necessidades da população. “O nosso objetivo é que, através do conhecimento e da formação, a resposta seja para a comunidade”, afirmou, tendo destacado a evolução feita entre a primeira e estas segundas Jornadas, que este ano se estendem à comunidade.
Já Armando Raimundo, diretor da ESDH, destacou o significado da realização da segunda edição da iniciativa, considerando que esta representa a consolidação de um projeto com futuro. O responsável sublinhou que as jornadas refletem a missão da escola de colocar o conhecimento ao serviço das pessoas e das comunidades. “Estas jornadas são uma das expressões mais completas dessa missão”, referiu. Esta aproximação à sociedade traduz o modelo de instituição que a Universidade de Évora pretende ser. “Isto, para mim, é ser Universidade. É ser a Universidade que queremos ser: presente, útil e realizada no nosso território”, concluiu.
Por seu turno, Carlos Mateus Gomes, Presidente da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central destacou os desafios que o setor da saúde enfrenta na região, como seja o envelhecimento da população, a promoção de hábitos de vida saudáveis, o reforço da literacia em saúde e a aposta na transformação digital dos cuidados de saúde. No que diz respeito à resposta da ULSAC a estes desafios, o presidente destacou a aposta na inovação tecnológica e na transformação digital dos cuidados de saúde. Entre os projetos em análise encontra-se o desenvolvimento de soluções de telemonitorização e telessaúde. “Estamos a estudar a adesão a um projeto muito interessante na área da telemetria e da telessaúde, numa escala muito mais elevada do que aquela que temos atualmente. A partir de setembro começaremos a avaliar essa possibilidade”, revelou.
O responsável referiu-se ainda ao futuro próximo, indicando o dia 31 de dezembro de 2027 como a data prevista para o início de atividade do novo Hospital Central do Alentejo. “Na realidade do novo Hospital, um dos objetivos que temos em conjunto é tentar lançar o curso de Medicina o ano letivo 2028/2029”, referiu Carlos Mateus Gomes.
Por fim, a vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, destacou a importância do novo Hospital Central do Alentejo assumir uma forte ligação ao ensino superior e à investigação. “Entendemos que seja um hospital universitário e, portanto, ligar as entidades é muitíssimo importante para que se consigam dar respostas mais eficazes e acompanhar as novas soluções que, felizmente, vão surgindo”, afirmou.
No dia 1 de junho, sob o tema “Desafios em Saúde e Novas Abordagens”, o foco incidiu sobre a realidade da saúde no Alentejo, com uma análise prospetiva até 2050. Foram abordadas questões centrais como a Saúde Mental, a Literacia em Saúde, a Transição Digital e o conceito integrador de “Uma Saúde” (One Health), que articula saúde humana, animal e ambiental.
O segundo dia, 2 de junho, fpi dedicado ao tema “Ensino e Políticas de Saúde”, promovendo o debate em torno dos desafios do ensino interdisciplinar e da implementação de políticas públicas de saúde. Este momento contou com a participação de representantes de diversas Ordens Profissionais, Médicos, Enfermeiros, Farmacêuticos e Médicos Veterinários, bem como de entidades institucionais, como a Direção-Geral da Saúde e a Secretaria de Estado da Ciência e Inovação.
Já no dia 3 de junho, as jornadas saem para a comunidade sob o lema “Universidade em movimento - Saúde na comunidade”. Este dia será marcado por iniciativas de proximidade com a população, incluindo rastreios de saúde, atividades desportivas e ações de sensibilização, a decorrer em espaços emblemáticos como a Praça do Giraldo, associações de idosos e em agrupamentos escolares, envolvendo diretamente a comunidade eborense.
As II Jornadas da Saúde reafirmam o compromisso da Universidade de Évora e dos seus parceiros, nomeadamente a Câmara Municipal de Évora e a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, com a promoção do bem-estar, a inovação nas práticas de saúde e o fortalecimento da ligação entre academia e sociedade.
