Conferência Anual de Geografia da Universidade de Évora debateu a 'paisagem e o fogo'
No dia 17 de abril, no anfiteatro 1, do Colégio Luís António Verney, da Universidade de Évora, decorreu a VI Conferência Anual de Geografia, dedicada ao tema “Paisagem e Fogo: Os destinos turísticos em Portugal estão em risco?”, desenvolvido por Sandra Oliveira, do Centro de Estudos Geográficos (IGOT) da Universidade de Lisboa e do Laboratório Associado Terra.
Miguel Leal, professor da Universidade de Évora e da organização da Conferência Anual de Geografia, explicou que este ano “decidimos convidar a doutora Sandra Oliveira para fazer esta apresentação e estar aqui com os nossos alunos para falar sobre a temática que ela estuda atualmente, que são os incêndios rurais, através do projeto científico PYROTuR, que está a decorrer, e que relaciona os incêndios rurais com a questão do turismo e como é que se faz esta ligação entre um fenómeno ambiental, entre um processo ambiental que relaciona a parte física com a parte humana e como é que se faz esta ligação e como é que afeta o turismo, sendo que a ligação entre incêndios e turismo é uma temática nova”.
Perante uma plateia atenta de jovens estudantes, que lotou o anfiteatro, a investigadora apresentou alguns dados do projeto “PYROTuR - Efeitos dos incêndios rurais no turismo: coproduzindo dados e conhecimento para desenhar destinos de turismo resilientes ao clima”.
À margem da Conferência, Sandra Oliveira explicou que “pretendi mostrar que na investigação científica aplicada, principalmente quando estamos a trabalhar em eventos que causam tantos danos, tantas perdas, como é o caso dos incêndios, faz sentido integrar o que pudermos daquilo que recebemos da sociedade e das componentes operacionais e técnicas”. “Esta é uma das coisas que eu mais gosto neste tipo de projetos, é conseguir integrar aquilo que posso para poder ajudar nas tomadas de decisão”, sublinhou.
Reconhecendo que alguns destinos turísticos em Portugal estão em risco, Sandra Oliveira referiu a importância de investigar, estudar e projetar para prevenir. “Eu acho que aqui a opção não é impedir que as pessoas vão a estes destinos que estejam em risco, é criar formas de, caso aconteça algum incêndio, as pessoas que lá estão estejam protegidas, assim como os ativos e as atividades económicas”.
“Aquilo que importa é que os destinos turísticos tenham a capacidade de lidar com os eventos que ocorrem, consigam proteger as pessoas, os visitantes, os residentes daquelas áreas o mais possível. Por isso, com mais conhecimento, melhor preparados estamos”, concluiu.
O PYROTuR distingue-se pela sua abordagem inovadora, reunindo uma equipa multidisciplinar de geógrafos físicos, geógrafos humanos e turismólogos. A metodologia do projeto combina diferentes abordagens, incluindo análise quantitativa e espacial de variáveis ambientais e de desempenho turístico, modelação preditiva, recolha de informação qualitativa através de entrevistas aprofundadas e métodos participativos.
Para além do impacto científico, o projeto pretende contribuir para políticas públicas e para a sociedade em geral. Conta com o apoio do Turismo de Portugal, da Direção-Geral do Território e da Associação Geopark Estrela.
