Universidade de Évora promove conversa sobre sexualidade e saúde mental

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O auditório Nobre do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora acolheu, na tarde de 27 de abril, uma conversa dedicada à reflexão sobre a relação entre sexualidade e saúde mental, com a conhecida Tânia Graça, psicóloga e sexóloga. Sob o mote “Sexualidade e Saúde Mental”, o evento proporcionou um espaço de diálogo aberto ao público, promovendo a partilha de conhecimento e experiências sobre duas dimensões fundamentais do bem-estar humano.

O Vice-Reitor para as Infraestruturas e Políticas para a Vida na Universidade, João Nabais, sublinhou a importância desta conversa. “O tema sexualidade e saúde mental é muitas vezes um tabu. Mas convém falar dele e ter abertura. Por isso, esta sessão é muito importante”.

Sobre o Vagar(mente) - Programa de Saúde Mental da Universidade de Évora,  que promoveu, com o apoio do CHRC - Comprehensive Health Research Centre e do CIEP| UE – Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora, esta iniciativa, o Vice-Reitor faz um balanço “muito positivo”. “Temos tido muitas atividades. Temos chegado a muitos públicos, porque o nosso programa de Saúde Mental é muito diverso”, explica, destacando que “o acompanhamento psicológico, hoje em dia, tem um tempo médio de espera até à consulta de triagem de sete dias. É, portanto, algo que criámos e implementámos na Universidade, e que tem um impacto muito positivo na comunidade”, conclui João Nabais.

Para Tânia Graça, protagonista da sessão, estas “Conversas” são cada vez mais importantes, porque “vivemos uma era em que é necessário, de facto, agitar aqui um bocadinho as mentes. Estamos a assistir, não só em Portugal, mas a nível europeu e no mundo ocidental, a um retrocesso no que toca aos avanços que tinham acontecido ao nível dos direitos das mulheres, da ideia que os homens têm das mulheres e dos seus direitos”, explicou. 

E acrescentou que as estatísticas demonstram que “os rapazes têm uma visão cada vez mais misógina, de maior posse e retirada da autonomia das mulheres sobre os seus corpos e sobre as suas vidas, e isto está a acontecer nas camadas mais jovens. E, portanto, esta é uma parte muito importante, a reflexão sobre que masculinidade estamos a construir;  enquanto sociedade, como estamos a educar os nossos meninos e rapazes”.

A especialista alertou, ainda, para os números da violência e das relações abusivas, “66% dos jovens entre os 11 e os 21 anos reportaram já ter vivido pelo menos uma forma de violência no namoro”, citou Tânia Graça, explicando “a forma de violência como o controlo, a violência psicológica, digital, perseguição, sexual ou física”.

“O controlo é o tipo de violência mais reportado e mais normalizado”, explicou, referindo que “muitos jovens vêem comportamentos controladores, como partilha de passwords, localização permanente, exigência de fotos, controlo das amizades, como ‘provas de amor’.

Tânia Graça sublinhou ainda que “um terço dos homens da geração Z tem visões mais conservadoras que homens do anos 1960”.

A psicóloga e sexóloga refere que nestas “Conversas” importa também abordar a “educação sexual. Importa falar dos nossos corpos, de como temos direito ao prazer, de como o prazer também implica responsabilidade, cuidados para que o possamos viver em pleno, e falar também bastante sobre a importância do prazer da mulher que tem sido historicamente reprimido”. 

Na verdade, como explicou, “tudo isto se liga com a saúde mental; está tudo interligado. A forma como nós vivemos a nossa sexualidade tem muito a ver com o estado da nossa saúde mental e a nossa saúde mental também é afetada pela forma como vivemos a nossa sexualidade. Por exemplo, uma pessoa que seja tendencialmente mais ansiosa terá maior dificuldade em usufruir da relação sexual em pleno, e terá, se calhar, mais dificuldade em ter prazer”.

“Tudo isto é importante ser falado, quer seja nesta faixa etária, quer em todas as faixas etárias. Pois, na verdade, vivemos na era da informação, mas da desinformação também”, aponta a especialista, realçando a necessidade de se desenvolver um pensamento crítico, para que possam escolher “conteúdos de qualidade e educativos” e preterir  “muitos outros que não são fidedignos de forma nenhuma e são, na verdade, de incentivo ao ódio contra mulheres, contra as minorias, contra os homossexuais, as pessoas racializadas”.

Em suma, para Tânia Graça importa que os jovens “estejam abertos, que comuniquem e que não tenham medo” para que “não se façam tabus, porque ainda existem”.

A psicóloga e sexóloga partilhou ainda alguns sinais de relações saudáveis, tais como: reciprocidade; apoio mútuo; comunicação aberta; respeito pelas diferenças; reforço de autoestima; reforço da liberdade; confiança; e respeito pela privacidade.

“A fórmula de uma relação saudável é 1+1=3, ou seja, cuidado a ti, ao outro e à relação”, afiançou Tânia Graça.

Publicado em 28.04.2026