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Prémio de arquitetura atribuído a investigador da UÉ

Luís Duarte Ferro, arquiteto e investigador do Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora (CHAIA), foi um dos galardoados na 4.ª edição do Prémio Arquitectos Agora 2016 (PAA).

O Prémio é uma iniciativa de âmbito nacional promovido pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos que procura mobilizar os novos membros da Ordem dos Arquitectos a elaborarem relatos criativos em relação ao seu período de aquisição de experiência profissional, em Portugal ou no estrangeiro, distinguindo textos, fotografias, vídeos e/ou desenhos.

O júri composto pelo arquiteto Nuno Mateus, atual diretor da trienal de Arquitetura de Lisboa, pelo arquiteto Luís Tavares Pereira e ainda pelo fotógrafo Luís Casanova, analisou as doze propostas a concurso, e premiou o Investigador pela “Reflexão rica e poética/sedutora, numa combinação de escrita e desenho reveladores, focada num aspeto específico da profissão, gerada pela experiência proporcionada pelo estágio, a partir do trabalho de levantamento de um apartamento em Lisboa, conduzindo à exploração do seu potencial arquitetónico, e à relação imprescindível entre medir, observar e desenhar”.

Esta competição foi lançada pela Ordem dos Arquitectos (OA), desafiando os jovens arquitetos a relatar as suas experiências vividas no período do estágio profissional. O arquiteto agora premiado, sublinha que “dada a quantidade de ateliers de arquitetura em Portugal, existe uma certa exploração por parte destes ao nível das condições oferecidas aos recém-formados arquitetos”, uma preocupação que, na opinião do arquiteto, a OA demonstra estar atenta com a organização deste tipo de iniciativas.

Porém, mais do que relatar a sua experiência o estagiário premiado, procurou apresentar uma reflexão sobre observar; pensar e medir, instrumentos “indispensáveis à aprendizagem da arquitetura”.

Formado em Arquitetura pela Universidade de Évora (UÉ), Luís Ferro realizou um ano de formação através do programa ERASMUS na Yildiz Technical University, na cidade turca de Istanbul, onde teve contacto com diferentes perspetivas e abordagens ao nível da arquitetura e realizou estágio em Lisboa no atelier bugio do arquiteto João Favila Menezes. O estágio é por si encarado “como uma excelente oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos na sua formação superior e naturalmente adquirir novas competências”, tendo permanecido e colaborado neste atelier durante três anos, destacando entre muitos, o projeto de requalificação da Casa Largo de Santa Cruz do Castelo, localizada no Bairro do Castelo em Lisboa, trabalho essencial para o reconhecimento agora alcançado.

Na opinião do próprio, “este período revelou-se crucial para desenvolver um olhar crítico de observação e realização de trabalhos de desenho sobre os traços arquitetónicos da capital, com destaque para as lojas centenárias da baixa lisboeta, o que lhe motivou uma encomenda para intervir no espaço da sacristia da Igreja do Menino Deus, monumento nacional do estilo barroco localizado em Alfama.

A sua tese de mestrado, defendida em 2009, incidiu sobre “o espaço do eremitério de Santa Maria Scala Coeli: a casa cartusiana do Alentejo”, a qual pretendeu estabelecer e estudar a evolução da concepção do eremitério cartusiano – definido pelo claustro grande e pelas celas – através de uma análise comparativa estabelecida com outros conventos, baseada em inúmeros documentos, muitos deles à data ainda desconhecidos. Após concluir a sua formação foi docente convidado no Departamento de Arquitetura da UÉ onde lecionou entre 2013 a 2015.

Luis Duarte Ferro é atualmente estudante de doutoramento na FLUP em arquitetura e coordenador na UÉ do projeto “Lugares Sagrados; as cubas da Kûra de Beja”, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, através do CHAIA onde desenvolve Investigação desde 2009.

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu dia 30 de junho, na sede nacional da OA em Lisboa, onde está patente a exposição dos trabalhos até 12 de Julho.

Publicado em 04.07.2016