Foto: Hugo Faria | Gabinete de Comunicação da UÉ
Entrevista a Noémi Marújo

“O curso de turismo é hoje uma aposta ganha"
Noémi Marújo nasceu em Santa Cruz na Ilha da Madeira. Rumou a Évora em 1997 e é atualmente Diretora da Licenciatura em Turismo da Universidade de Évora, instituição que lhe conferiu os graus de Mestre em Sociologia e Doutorada em Turismo. É autora de várias publicações na área e faz parte do Conselho Editorial consultivo de revistas nacionais e internacionais. Integra, ainda, a equipa de investigação do projeto CREATOUR que visa desenvolver destinos de turismo criativo em cidades de pequena dimensão e áreas rurais.

Gabinete de Comunicação (GabCom) - O Curso de Turismo foi no passado mês de setembro distinguido com o Prémio Portugal Travel Awards 2016 na categoria de Instituição de Ensino Superior em Turismo. Que significado tem este prémio?

Noémi Marújo (NM) - O prémio é o reconhecimento do trabalho que a Comissão de Curso tem desenvolvido ao longo dos anos junto dos alunos mas, também, junto do sector público e privado do turismo. Este prémio não só dignifica o Curso de Turismo mas também a nossa Universidade e a região Alentejo. Mas sublinho que em 2012 também ganhamos o prémio de melhor instituição. No entanto, dentro da nossa academia muito poucos valorizaram o prémio porque não acreditavam no potencial do curso. Hoje, temos um curso acreditado e que capta alunos de vários distritos do país. Todos os anos candidatam-se entre 60 a 70 candidatos em 1ª opção para apenas 27 vagas. Por isso, a ideia da criação do Curso de Turismo, em 2003, constitui hoje uma aposta ganha para a nossa instituição, mas também para todo o país.

Este ano, a atribuição do prémio teve como critérios: “cursos de turismo que melhor se enquadram com as necessidades do mercado de trabalho; preparação dos alunos; organização de congressos envolvendo organizações nacionais e internacionais do setor; intercâmbio com outros países, etc.”. Também teve em conta a parceria que a Universidade de Évora tem com a Travelport Portugal onde em algumas unidades curriculares adota o sistema Galileo em ambiente real, com documentação e módulos próprios estruturados para o ensino, permitindo aos alunos um acesso ao ambiente real mais próximo do que encontrarão no mercado de trabalho.

Por outro lado, a Universidade de Évora e a Travelport Portugal assinaram, em 2010, um protocolo de cooperação técnica e científica que resulta na coordenação e organização anual, em parceria, do curso básico de reservas e emissões que já vai na 4.ª edição. O protocolo contempla ainda um conjunto de vantagens para os alunos do Curso de Turismo, nomeadamente com descontos de mais de 60% na propina do curso; acesso à base de recrutamento de técnicos de turismo para agentes de viagem certificados, por parte dos maiores grupos de Agências de Viagem e Operadores Turísticos Nacionais e Internacionais. Sublinho que este curso de certificação funciona anualmente entre os meses de junho e setembro, na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora. Mas ele não se estende apenas aos alunos do Curso de Turismo. Sou Directora do Curso de Turismo, mas trabalho para a Universidade de Évora e, por isso, uma das minhas preocupações é também mobilizar, especialmente, os alunos do Ramo das Línguas e Turismo para a realização deste curso que temos em parceria com a Travelport.

GabCom - O que pode esperar um aluno ao entrar no Curso de Turismo da UÉ?

NM - Nós temos um Curso de Excelência. Temos um corpo docente bastante qualificado, dos quais cinco são doutorados em turismo. Todos os outros docentes que participam no curso também possuem grandes competências nas unidades curriculares que leccionam. Temos produção científica, projectos de investigação e um excelente laboratório experimental que é a região Alentejo onde os alunos poderão desenvolver projetos teórico-práticos associados às disciplinas do curso. Por outro lado, o plano de estudos do curso oferece aos alunos a oportunidade de trabalharem em diversas áreas. Temos licenciados a trabalhar no enoturismo, em empresas de animação e eventos, em câmaras municipais, em postos de turismo, em agências de viagens, em hotéis, em companhias aéreas e operadores turísticos.

GabCom - Uma das apostas da Direção de Curso é o estabelecimento de parcerias criteriosas com diversas instituições públicas e privadas para a oferta de estágios aos estudantes. Como se processa e o porquê dessa aposta? 

NM - O plano de estudos do Curso de Turismo contempla no último semestre um estágio curricular. Daí, a necessidade de estabelecermos parcerias com os diferentes agentes do turismo. O estágio é uma excelente oportunidade para os alunos ingressarem no mercado de trabalho, pois muitos deles após o estágio ficam nos locais a trabalhar. Neste momento temos mais de 120 protocolos celebrados entre a Universidade de Évora e diversas organizações turísticas públicas e privadas em várias zonas geográficas do país, onde os alunos podem realizar estágios. Todos os anos temos uma preocupação em celebrar novos protocolos de estágio. Por outro lado, procuramos sempre incentivar os alunos a realizarem estágios de verão para ganharem experiência e, por isso, fazemos muito trabalho de bastidores que é estabelecermos relações com os diferentes agentes do turismo.

GabCom - Na sua opinião os licenciados do Curso de Turismo podem de alguma forma contribuir e ajudar a melhorar o desenvolvimento (turístico) da região?

NM - Claro que sim. O nosso curso também está pensado para o desenvolvimento da região Alentejo. Todas as dimensões do turismo (sociais, económicas, culturais, políticas e ambientais) são trabalhadas com os alunos. Uma das nossas preocupações é proporcionar aos estudantes instrumentos conceptuais e analíticos para uma intervenção credível como profissionais da atividade turística. Ou seja, formar profissionais capazes de responder aos desafios constantes que se colocam na reinvenção das dinâmicas económicas e sociais que promovam um desenvolvimento sustentável nas regiões. Os próprios agentes do turismo reconhecem que o nosso curso tem sido uma mais-valia no apoio ao desenvolvimento turístico da região. No entanto, penso que tanto a nossa instituição como o sector do turismo na região Alentejo devem trabalhar mais em rede.

“O nosso curso também está pensado para o desenvolvimento da região Alentejo”

GabCom - O que quer dizer com trabalhar mais em rede?

NM - Quero dizer que deve haver mais parcerias especialmente na área da investigação e da transferência de conhecimento. Na área do turismo, a nossa Universidade possui um conjunto de competências que englobam o património, a cultura, o ambiente, o planeamento, o desenvolvimento, etc. e que poderão ser úteis no apoio aos diversos setores do turismo da região Alentejo. É verdade que alguns setores como, por exemplo, algumas autarquias nos têm procurado para apoiar projectos, mas penso que deve haver uma maior aproximação com mais organizações turísticas. A nossa instituição está inserida no território e, por isso, está aberta a parcerias nestas áreas.

GabCom - Tendo a região Alentejo como “guarda-chuva” o turismo cultural, que papel deve a UÉ desempenhar neste tipo de turismo?

NM - A Universidade de Évora, no âmbito da sua missão e visão, assume diversas responsabilidades que concorrem para um desenvolvimento integrado do turismo cultural na região Alentejo. Um propósito fulcral é promover uma qualificação académica de recursos humanos, capaz de responder às especificidades do planeamento e gestão do produto de turismo cultural e de despoletar iniciativas empreendedoras e de forte carácter competitivo na região Alentejo. Além disso, também produz e transmite conhecimento científico, que são essenciais para os agentes promoverem projetos empresariais inovadores e competitivos, num contexto em que urge valorizar o património e dinamizar atividades culturais que sejam identitárias dos territórios em que se inserem.

Numa outra dimensão da sua intervenção, é preciso não esquecer que a Universidade de Évora dispõe de espaços no Centro Histórico de Évora que estão abrangidos pelo conjunto inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO. A título de exemplo, refira-se o emblemático Colégio do Espírito Santo, também classificado de Monumento Nacional, que é um dos monumentos mais atrativos da cidade de Évora pela sua dimensão histórico-cultural, característica esta, que lhe é cada vez mais reconhecida por visitantes nacionais e internacionais. Neste contexto, também a UÉ é considerada um dos agentes da oferta cultural, com responsabilidade acrescidas no planeamento e gestão dos seus espaços enquanto atrações turísticas de relevante valo

Publicado em 18.10.2016